A leishmaniose, doença que é transmitida por um mosquito que se procria em material em decomposição, casou a morte de mais uma pessoa em Bauru. Um bebê de 8 meses, de uma família que mora no Parque Jaraguá, morreu na madrugada de ontem. Ele foi a quarta vítima fatal da doença desde setembro do ano passado, quando a moléstia foi diagnosticada pela primeira vez em Bauru.
Em menos de um mês, é a segunda morte causada por leishmaniose no Parque Jaraguá, que se transformou em um foco da doença. Caçula de uma família de sete irmãos, Cauê Diogo Menino de Aguiar estava internado no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo desde o último dia 1, conta a mãe, a dona de casa Eliana Menino de Aguiar. Ela mora em um barraco de três cômodos, ao lado de um terreno baldio onde os filhos costumam brincar com a cadela da família, Belinha.
Para ela, o filho poderia estar vivo se a doença fosse diagnosticada antes. “Ele passou mal pela primeira vez, como se estivesse com gripe, no dia 25 de julho. Eu o levei no Pronto-Socorro Bela Vista, que não tinha pediatra. Em seguida fomos para o PAI (Pronto-Atendimento Infantil), onde o médico disse que era gripe. Ele piorou e eu voltei para o PS Bela Vista no dia 28. Novamente o médico disse que era gripe e, como ele não melhorou, fomos ao PAI outra vez, quando a médica suspeitou de leishmaniose”, conta.
O secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro, contesta a mãe. “Se suspeitássemos de estado gripal, era preciso fazer exame praticamente em toda população. É uma doença de difícil diagnóstico. Mesmo o exame às vezes dá negativo”, diz.
Quando foi internado, no dia 1, conta a mãe, o bebê já estava com o baço inchado. De acordo com as assessoria do hospital, o quadro clínico da criança era muito grave. Algumas horas depois de internado na enfermaria, o bebê foi levado para a UTI pediátrica, onde permaneceu até a madrugada de ontem.
O diagnóstico de leishmaniose foi confirmado dois dias depois da internação, por meio de exames. A assessoria de imprensa do hospital informa que o tratamento aplicado ao paciente não foi suficiente para reverter o quadro porque a leishmaniose visceral desencadeia complicações como anemia, insuficiência renal, dificuldade de coagulação e infecções secundárias, levando o quadro a se agravar ainda mais e culminando com a disfunção de múltiplos órgãos.
Durante o velório, ontem, Eliana disse ao JC que está preocupada com seus outros seis filhos, mas acha que não tem muito o que fazer. “Eles brincam sim no terreno em frente de casa. É o lugar que eles têm para brincar. Já tiraram sangue da cachorro, mas ainda não saiu o resultado. Só limpar quintal não adianta. Tinham que passar veneno para matar o mosquito”, sugere.
Vizinha de Eliana, a aposentada Laura Roque Ribeiro, pede proteção a Deus. “O menino tinha saúda, estava engatinhando pelo quintal. Fazer o quê? A gente entrega para Deus”, comenta frisando que seus três cachorros foram examinados pelas equipes de saúde e nenhum está doente.
Outra moradora do bairro, Silvana Aparecida Basílio de Moraes, diz que tem medo que sua filha 10 anos pegue a doença. “Acho que tem que limpar os terrenos, tanto os moradores quanto a prefeitura”, diz.
Neste ano, já foram diagnosticados 15 casos da doença e uma outra pessoa está sob suspeita. Além dos casos registrados em humanos, o DSC detectou leishmaniose em aproximadamente 200 cães dos quase 2 mil que tiveram seu sangue coletado. Cerca de 500 animais foram sacrificados.