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Descobrindo bondades


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Não é anomalia rara e nem mesmo raríssima, pois diariamente se toma conhecimento de atropelamentos de pessoas, nas cidades e nas rodovias, que não são socorridas pelos seus autores, com quase todas as suas vítimas perdendo, então, a preciosa existência. Cometido o atropelo, os motoristas simplesmente comprimem o acelerador do veículo e dão o último aceno de mãos aos infelizes, olhando-os, indiferentes, estendidos à sua retaguarda. E não se desvinculam das tragédias os que, desviando inopinamente seus carros, caminhões e coletivos para a sempre perigosa contramão, põem em risco a integridade física dos que vêm à sua frente. Não os escondem os meios de comunicação, noticiando que as mal-querenças humanas cada vez mais ferozes se estão fazendo. Só Deus pode dizer quantas de suas criaturas são maldosas assim! Mas há, porém, batam-se-lhes palmas, os que não fogem às suas responsabilidades, lamentando seus deslizes, acudindo o atropelado e conduzindo-o a um hospital ou uma clínica. Contudo, os gestos de bondade não se circunscrevem a isso, tendo de bater-se palma também para testemunhos realmente elogiáveis existentes no campo das bem-querenças. Ainda há poucos dias fomos beneficiados com um deles... Tropeçamos no canteiro do jardim de nossa casa e nos projetamos pesadamente na calçada. Ia passando um casal de namorados e vendo-nos estatelados ao chão, rosto ensanguentado, invadiu a área, estendeu-nos as mãos e nos levantou, colocando-nos novamente de pé. E quantas vezes, chegando à nossa morada e nos preparando para deixar o carro a fim de abrir o portão, nosso prezado vizinho afasta-se pressuroso da revenda de veículos de que é proprietário e corre para liberar o acesso, numa amizade que não tem tamanho. Nossa esposa também tem sido carinhosamente agraciada, pois quase sempre que desce do veículo, empunhando a sua charmosa bengala, para descerrar o gradil, tem à sua frente transeúntes - homens e mulheres, inclusive crianças - que simpaticamente o fazem para ela ou a ajudam fazê-lo. Consequentemente, é de se aplaudir a solidariedade dos que se interessam não apenas com o seu bem-estar mas, igualmente, com o do próximo, lembrando que a prática da bondade precisa ser demonstrada em todo lugar e todas as oportunidades. O mundo não teria tantos atropelos sociais se todos tivessem a convicção de que ninguém pode viver sozinho, precisando ter sempre a seu lado o auxílio do semelhante na “alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-se e se respeitando todos os dias da sua vida”...

O autor, N. Serra, delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos velhos Jornalistas do Estado, é o jornalista responsável do JC.

“Dai graças a Deus por teres podido estar com quem cruzou contigo a mesma estrada, repartindo consolo, esperança ou pesar, ou mesmo silêncio de coisa passada”.

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