O personagem Zé Gotinha, símbolo da campanha de vacinação contra a poliomielite, esteve ontem em Bauru. Sua visita é uma forma de intensificar a ação vacinal da cidade, que desde o ano passado não atingiu o índice recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 95%. A primeira fase da cobertura de combate à pólio deste ano foi realizada em junho e imunizou 91,83% das crianças de até 5 anos de idade.
Em 2003, na primeira etapa da vacinação ocorrida em junho, 94,31% da população nessa faixa etária em Bauru receberam a famosa “gotinha” contra a paralisia infantil. Na segunda fase, em agosto, 93,62% das crianças foram imunizadas. “A vinda do Zé Gotinha para Bauru é mais uma medida para se intensificar a cobertura vacinal”, confirma Márcia Simonetti, diretora da Vigilância Epidemiológica da Direção Regional de Saúde (DIR). Além de Bauru, o órgão abrange 37 cidades da região.
A visita do Zé Gotinha a Bauru, que não está programada para todas as cidades paulistas, foi organizada pela Secretaria do Estado da Saúde visando divulgar a segunda etapa da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e também contra o sarampo, que será realizada no próximo dia 21 de agosto, sábado, das 8h às 17h, com a permanência de 20 postos de vacinação montados em núcleos de saúde e outros prédios públicos e privados.
Todas as crianças de até 5 anos de idade deverão ser imunizadas contra a poliomielite, e todos os pequenos de 1 a 4 anos deverão ser vacinados contra o sarampo. A estimativa da Secretaria Municipal da Saúde é imunizar pelo menos 95% das crianças nessa faixa etária em Bauru, que corresponde a 25.610 pessoas para poliomielite, e de 20.836 pessoas para sarampo.
A ação se estenderá até o dia 3 de setembro, sendo realizada em núcleos de saúde de Bauru, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A exemplo dos anos anteriores, a campanha de vacinação terá duração de aproximadamente duas semanas. A prorrogação, porém, não fez com que Bauru atingisse a meta nacional, de 95%, índice conquistado em outras cidades da região de Bauru. Na área da DIR, em 2003, a cobertura vacinal foi de 97%.
De acordo com Simonetti, a baixa procura pode estar relacionada a uma questão populacional. “Bauru tem uma população flutuante, que viaja”, diz. “Mas existem outros fatores, como a chuva durante a campanha que diminui um pouco a cobertura no Estado inteiro”, acrescenta.
“Pode ser também que a população real não seja bem a estimada pela Fundação Seade”, apontou a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Maria Helena Abreu, em recente entrevista concedida ao Jornal da Cidade. Ela também citou que os pais podem ter “relaxado” um pouco em relação à prevenção da paralisia infantil, já que há 20 anos Bauru não registra casos, uma doença sem cura, que possui apenas a prevenção, por meio da vacina oral.
Essa é a mesma opinião do pediatra Donizete Troijo. “O pessoal pode estar ‘despreocupado’ com a paralisia infantil porque nós não estamos tendo casos”, diz. “Mas tem vários fatores internos que podem atrapalhar um pouco (a eficácia da cobertura vacinal). Às vezes, a criança está com período febril ou diarréia e, por uma informação falsa, porque isso não a impediria de tomar a vacina oral, (os pais) acreditam que a vacina vai interferir no processo infeccioso”, explica.
A pediatra Adriana Barbieri afirma que apesar do baixo índice de imunização não ser alarmante, não há desculpas para que os pais deixem de vacinar seus filhos. “Não se pode deixar de tomar as vacinas da campanha. Essa prática é fundamental”, enfatiza.
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Sem falhar
Se depender do empenho da maioria dos pais, a campanha de vacinação em Bauru atingirá ou ultrapassará os 95% esperados para a cobertura nacional. A dona de casa Luzia Aparecida Silvério Salgado, moradora do Jardim Celina, afirma que, a exemplo dos anos anteriores, vai levar a filha de 4 anos ao posto de vacinação no dia 21. “Ela sempre toma todas as vacinas. Nunca deixo de levá-la porque fico sabendo (da campanha de vacinação) através dos cartazes na escolas e no posto (de saúde)”, conta.
Essa conduta também é adotada pela auxiliar contábil Adriana Regina Bastelli, moradora no Jardim Higienópolis. “Tenho medo que minha filha (também de 4 anos) contraia a pólio. Eu a levo em todas as campanhas e procuro deixar todas as vacinas em dia para não ter problemas”, diz.
A manicure Ana Paula da Silva, que mora na Vila Alto Paraíso, concorda. Ela conta que vai levar sua filha de 4 anos no primeiro dia de vacinação. “A vacinação é importante para o bem da criança e para evitar doenças”, aponta. Mãe de um bebê de 1 ano, a auxiliar de escritório Flávia Kimura, compartilha da mesma opinião de Ana Paula. “A vacinação é uma forma de proteção. Como diz o ditado, é melhor prevenir do que remediar”, reforça ela, que mora na Vila Alto Paraíso.