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Eu estive lá - Atenas: a musa das olimpíadas

Por Adryanna Barros | Especial para o JC
| Tempo de leitura: 6 min

Encontrei no dicionário Aurélio que musa significa. “Cada uma das nove deusas que presidiam às artes”. “Divindade inspiradora da poesia”; e ainda “Pessoa que inspira um poeta”.

É fato que ela, a cidade de Atenas, inspirou as olimpíadas. Diz a lenda que em 490 a.C. os gregos haviam vencido a batalha de maratona contra os temidos persas e o jovem Pheíppides teve a missão de levar a boa notícia a Atenas. Ele correu 40 quilômetros sem parar e ao chegar à cidade, anunciou em um último suspiro: Vencemos! E logo depois caiu morto. Hoje, milhares de anos depois, a maratona é uma das principais provas das olimpíadas, símbolo da superação pessoal.

Foi no ano de 1896 que Atenas sediou a primeira olimpíada da era moderna. Tantos anos depois os gregos ganharam o presente de recepcionar novamente os jogos olímpicos, mas a pergunta que não quer calar: Estão eles preparados?

Fui conferir esta preparação, senti que o povo grego é tranqüilo, não têm pressa para nada. Atenas nem se parece com uma capital, vive como uma pacata cidade do interior, seus habitantes andam pelas ruas se comunicando uns com outros. Eu mesma fui várias vezes abordada. Vi um homem cochilando no seu carrinho de bugigangas. O trenzinho que percorre a cidade com os turistas só funciona no domingo, mesmo com a cidade cheia de turistas. A cidade está repleta de novos bares com muito charme, esperando pelos atletas.

Os canteiros estão sendo preparados por todos os lados, mas com este sol?! Não vai dar tempo.

Atenas convive com a poluição sonora e atmosférica. Há pouquíssimo verde e muitos carros, os motoqueiros ainda não usam capacetes para a segurança.

Exatamente por ter tido uma campanha afirmando que gregos não estavam preparados para esta organização, eles se mostram ressabiados com os jornalistas.

Será que por tanta tranqüilidade assim este país não é o mais adequado? Não podemos esquecer a tensão que corre no ar. Afinal, sediar esta olimpíada é, no sentido exato da frase, um presente de grego.

Mas com certeza, e que os deuses Olímpicos digam sim, Atenas será a musa que inspirará a paz, que superará os limites de linhas geográficas que oficializam guerras. Ela fez história: a história da grega que se tornou a primeira mulher a participar de uma olimpíada representando a Palestina, o orgulho dos cinco afegãos representando um país que foi arrasado, estrelas do esporte preferiram não competir por medo do inesperado.

Entre este mito e a história só nos resta esperar que o vencedor seja a Paz!

Uma pincelada da história

Atenas é atualmente a capital e a maior cidade da Grécia. Sua localização geográfica e a suavidade de seu clima foram os principais motivos para que o homem desde cedo passasse a habitá-la.

A vida começa a se organizar em Atenas a partir do período Neolítico, quando por volta dos anos 4000-3000 a.C., os primeiros habitantes se concentraram no monte de Acrópole e na zona do rio Ilisio (atualmente Olimpo). Na idade do Bronze (3000-1100 a.C.) os estabelecimentos pré-helênicos iniciais foram ocupados pelas primeiras tribos gregas. A população era rural, mas com o passar dos séculos surgiu o comércio e se estabeleceram contatos com as zonas limítrofes ao Egeu.

Durante a época micênica (1500-1050 a.C.) houve o desenvolvimento econômico e artístico. Pouco antes do século 13 a.C., a maioria dos centros micênicos erigiram no cume da montanha o palácio do monarca, em meados deste século amuralharam pela primeira vez a cidade. Até o século 12 a.C. a maioria dos centros micênicos entraram em decadência e foram abandonados. As tribos gregas, até o século 8 a.C., se distribuíram pelo oriente, criando colônias nas ribeiras da Ásia Menor. Paralelamente, os habitantes da Àtica, que viviam divididos em clãs e tribos, se agruparam tendo como centro Atenas, que se tornou uma cidade-estado.

Durante o período geométrico (150-700 a.C.) a civilização grega teve um progresso notável. A religião se concentrou pela primeira vez em torno dos doze deuses do panteão olímpico e se criou uma nova escrita, raiz de todos os alfabetos europeus. A decoração geométrica das louças de uso diário deu nome a este período. No século 6 a.C. se constroem os primeiros templos dóricos e jônicos em mármore, as estátuas Kouros e Kores e as louças com figuras negras. Então se desenvolve a poesia lírica, coral e épica (Safo, Estesícoro, Hesíodo); é a época dos filósofos jônicos (Tales, Heráclito, Pitágoras).

Na poesia encontramos figuras universais como Sófocles e Eurípides; na filosofia Sócrates; na ciência Demócrito; e na historiografia Heródoto. As esculturas de Fidias expressam de maneira admirável a beleza do corpo e da alma, a harmonia e o equilíbrio. A maior festa ateniense, a Panateneas, adquiriu particular esplendor, dando à cidade a oportunidade de expressar sua riqueza, seu poder e suas forças criativas.

A prosperidade de Atenas provocou inveja de Esparta, que pôs as cidades novamente em conflito.

Em 146 a.C. os romanos dominaram a Grécia, mas Atenas foi objeto de um tratamento especial, sendo mesmo assim saqueada e arrasada pelo general romano Sila.

Durante os primeiros anos do Império Bizantino os antigos templos de Atenas foram transformados em igrejas cristãs (século 4 e 5 d.C.). A cidade foi fortificada por Justiano, mas sua vida cultural e espiritual sofreu um golpe letal com o fechamento de suas escolas. Do século 9 e 12 d.C., floresceu a arte Bizantina na Ática. Neste período foram construídas mais de quarenta igrejas. Com a queda de Constantinopla nas mãos dos francos, Atenas foi regida pela dinastia de Borgonha. No século 14 d.C., foi ocupada pelos catalães, florentinos, venezianos e bizantinos.

Em 1458 foi conquistada pelos turcos, que se instalaram na Acrópole. Em 1687 foi bombardeada e conquistada pelo almirante veneziano Fr. Morosini. Em 1690 voltou a cair nas mãos dos turcos e só se tornou livre em 1833.

Um ano mais tarde foi designada capital da Grécia e reconstruída no estilo neoclássico, em moda na Europa. Neste período construíram a Universidade, a Biblioteca, a Academia, o Jardim Nacional etc...

Depois da Primeira e Segunda Guerra Mundial a população aumentou muito e o problema de imigração rural à capital tornou-se muito mais grave.

Hoje, Atenas tem uma população de cinco milhões de habitantes e possui as características de uma grande capital, pelo menos no que se refere aos problemas. No entanto, no transcorrer do tempo conservou intactos seu passado e sua memória.

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Sugestão

Atenas tem um dos mais emblemáticos hotéis do mundo, o Hotel Grande Bretagne, que pertence ao The Luxury Collection (Starwood), o spa do hotel está entre os 100 melhores do mundo, a arquitetura é linda, o serviço é esplendido. Na gastronomia tem reputação de chefes que cozinharam para o imperador da Pérsia e deram continuidade a este desempenho recebendo celebridades e o comitê olímpico da primeira olimpíada da era moderna no ano de 1896.

Endereço: Constituion Square, 105 63 Atenas- Grécia.

Telefone: + 30 210 3330813

www.grandebretagne.gr

Agende um jantar no Orizontes Lycavittou Café, mas vá munido de paciência para tomar o bondinho. Além de a vista ser espetacular é o ponto mais interessante para avistar a cidade. O risoto de polvo é divino!

Endereço: Lofos Lycavittou

Telefone: +30 210 7210701

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