Economia & Negócios

Renegociar dívidas pode ser a saída para 'limpar' o nome

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Para muita gente, ter o nome limpo junto a instituições de análise de crédito - como Serasa e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) - é o único “patrimônio” pessoal. Além disso, também é a chave para obter crédito e para poder efetuar compras parceladas no comércio. A principal orientação de um economista e de uma gerente de banco consultados pela reportagem para quem tem dívidas é renegociá-las junto ao credor.

Ana Maria Zorzella Xavier, gerente em um banco público de Bauru, diz que as instituições financeiras estão facilitando as renegociações de dívidas para os clientes, oferecendo prazos longos com prestações baixas e aplicando taxas de juros reduzidas. Segundo ela, nos últimos três meses tem ocorrido o que ela chama de “conscientização”, com um aumento notável de pessoas procurando o banco espontaneamente para fazer acertos de dívidas.

“Essa é a atitude mais acertada para quem possui pendências, porque os credores de uma maneira geral, não somente os bancos, estão dispostos a facilitar as coisas para que a pessoa consigar quitar suas dívidas. Tenho percebido uma preocupação maior das pessoas em saldar suas pendências e não se endividar novamente”, observa Ana Maria.

Ela lembra que, ao longo do ano passado, o banco em que ela trabalha registrou um grande número de pessoas que não conseguiram honrar compromissos financeiros assumidos e tiveram o nome incluído na “lista negra” de órgãos de proteção ao crédito.

“A impressão é de que houve uma onda desenfreada de consumo (no ano passado) e muita gente acabou se enrolando. Tivemos um volume grande de cheques sem fundos. Este ano, parece que as pessoas estão mais cuidadosas. Mas é interessante ressaltar para que as pessoas não tenham medo de renegociar e que, se receberem carta de algum banco assinada por um escritório de cobranças, isso é normal. A maioria dos bancos paga uma empresa para cuidar disso, e o cliente não tem que pagar nenhum honorário.”

Crédito

O economista e professor Reinaldo Cafeo reforça o fato de que o nome é o “bem maior” de todas as pessoas. “Principalmente para as famílias de menor renda. O histórico de bom pagador é o que vai permitir que essas pessoas consigam crédito na praça e voltem para o mercado consumidor. Hoje em dia há várias maneiras de conseguir crédito mais em conta, como no Banco do Povo, o microcrédito, empréstimo em consignação, entre outros. Mas em todos os casos é feita a avaliação cadastral da pessoa”, diz.

Segundo Cafeo, os indicadores econômicos estão favoráveis. Um deles é o aumento do nível de emprego, fazendo com que muitas pessoas que estavam adiando o pagamento de dívidas em função do desemprego tenham condições de quitá-las agora. O economista garante que não há segredo para conseguir manter as finanças em dia. É preciso fazer planejamento, colocar na ponta do lápis a quantidade de dinheiro que vai entrar no orçamento e definir as prioridades na hora de pagar.

“Do total de crédito do mês (100%), qual a porcentagem que será direcionada a cada grupo de gastos? Coloque-os (os grupos) no papel: habitação, alimentação, educação (escola dos filhos) comunicação (telefone, Internet), saúde. Aí você saberá o quanto gastará com o básico. A partir daí é possível saber se está sendo gasta uma quantia maior do que o crédito (salário) da família. Se isso acontecer, é preciso rever o perfil de gasto ou aumentar as horas de trabalho para elevar a renda”, orienta.

O economista também recomenda a renegociação das dívidas. “Procure o seu credor e negocie com ele. As empresas estão abertas a isso e dispostas a facilitar as coisas. Mas na hora de negociar, só aceite um plano que você tenha certeza de que conseguirá assumir. Não aceite parcelas altas se elas não couberem no orçamento. Enquanto isso, não faça mais dívidas.”

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Contas em dia

Trabalhando com estética, Valéria Costa, 38 anos, é um exemplo de ter conseguido quitar todas as suas dívidas a partir de planejamento e do corte de supérfluos. A grande lição que fica, segundo ela, é nunca abrir mão de programar os gastos, evitar cheques pré-datados e preferir os pagamentos à vista com desconto.

“Eu tinha duas dívidas grandes: uma de R$ 1.600,00 do cartão de crédito e outra com 12 parcelas de R$ 513,00, do financiamento do meu carro. A primeira coisa que fiz foi elaborar uma lista com os gastos essenciais da casa. Depois, procurei o banco e renegociei a dívida do cartão, que consegui quitar em seis prestações. Enquanto isso, parei de usar cheque e não tenho mais cartão de crédito”, conta.

O financiamento do carro ela conseguiu pagar aumentando a quantidade de clientes atendidas e planejando os gastos. “Durante todo esse tempo, eu evitava ao máximo os supérfluos, dificilmente levo meus filhos (de 10 e 12 anos) ao supermercado e agora só pego um talão de cheques por vez no banco. Mas continuo evitando os pré-datados. Só compro o que posso pagar à vista”, ensina Valéria.

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