Economia & Negócios

Grupo americano assume a Tilibra

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A família Coube, que controlava a Tilibra desde a fundação da empresa, em 1928, anunciou ontem a venda de 100% das suas ações para a norte-americana MeadWestvaco Corporation, que já mantém no Brasil a subsidiária Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda. O valor da negociação, que durou quase um ano, não foi divulgado.

A presidência da empresa passa a ser ocupada pelo norte-americano Joe Forgiano, vice-presidente da divisão de produtos de papelaria e de bens de consumo da MeadWestvaco. Os membros da família Coube que integram a atual diretoria permanecerão nos cargos por um prazo de pelo menos dois anos.

Segundo Forgiano, os cerca de 1.000 funcionários da empresa não correm risco de demissão. “Queremos conhecer e entender os negócios da Tilibra para crescer com ela, e não torná-la menor”, argumenta.

O vice-presidente da Tilibra, Vinícius Coube, afirma que os funcionários receberam ontem um comunicado a respeito da negociação. “Explicamos que a empresa permanecerá na cidade e que daremos continuidade à nossa política de oferecer oportunidades de emprego para a comunidade”, relata.

O diretor-superintendente da empresa, Pedro Henrique Coube, também descarta a possibilidade da linha de produção ser transferida para Campinas, onde fica a sede da Rigesa. “As atividades do grupo naquela cidade também são relacionadas a papel, mas não no segmento em que a Tilibra atua. Eles fabricam papel e celulose, mas voltados para a produção de caixas de papelão ondulado e embalagens”, justifica.

Apesar das garantias dadas pela diretoria, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Gráficas de Bauru e Região, Sílvio Garcia, diz que a entidade classista ficará atenta a essa questão. “A possibilidade de demissões nos preocupa, mas não sabemos os detalhes da negociação e acredito que ainda é cedo para analisar os reflexos que a venda da Tilibra trará”, declara.

Marca

Pedro Coube destaca que a linha de produtos fabricada em Bauru continuará tendo o nome “Tilibra”. “A marca permanece sendo a mesma, até porque ela é um dos nossos principais valores. A MeadWestvaco já adotou essa postura quando efetuou outras aquisições”, diz.

Durante a negociação, parte da família Coube chegou a se posicionar contra a venda das ações. Nos últimos dois meses, porém, o acordo avançou e acabou sendo concretizado.

A Tilibra produz anualmente cerca de 34 mil toneladas de produtos, o que transforma a empresa em líder do mercado brasileiro de cadernos e agendas. No final do mês, a coleção “Volta às Aulas 2005” será lançada durante a Feira Escolar, em São Paulo.

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História

A MeadWestvaco Corporation tem sede em Stamford, no estado norte-americano de Connecticut. Atualmente, opera em 29 países e negocia produtos com mais de 100 nações. Além de materiais de escritório, embalagens e papéis especiais, também atua nos mercados farmacêutico, automotivo, de bebidas e de entretenimento, entre outros.

O grupo surgiu há dois anos, após a fusão das empresas Mead e Westvaco. No Brasil, controla há 62 anos a Rigesa Celulose, Papel e Embalagens Ltda, que conta com 2,3 mil funcionários, duas fábricas de papel, cinco fábricas de embalagens de papelão ondulado e duas fábricas de embalagens de papel cartão, além de 51,7 mil hectares de terras plantadas e 19 escritórios de vendas e representação comercial.

Segundo a assessora de comunicação da Rigesa, Desirée Martini, a empresa surgiu em 1942 e operava com a mesma estrutura familiar da Tilibra. Em 1953, foi adquirida pela MeadWestvaco Corporation, em processo semelhante ao que ocorre agora com a indústria bauruense.

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