Esportes

Olimpíadas: Guilheiro, nosso primeiro medalhista

Da Redação (com Agências Folha e Lancepress!)
| Tempo de leitura: 3 min

Atenas - O judoca Leandro Guilheiro, caçula da equipe brasileira de judô, com 21 anos, venceu ontem Victor Bivol, da Moldávia, e conquistou o bronze na categoria leve (até 73kg), a primeira medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Atenas.

Com o resultado, o Brasil manteve a tradição no judô olímpico. O esporte é o terceiro que mais rendeu medalhas ao País na história dos Jogos (dois ouros, três pratas e seis bronzes). Desde Los Angeles-1984 os brasileiros sempre voltam para casa com pelo menos uma medalha.

Nos dois primeiros dias de disputa, no entanto, os quatro judocas brasileiros que foram ao tatame fracassaram na Capital grega.

Diante de Victor Bivol, Guilheiro tomou a iniciativa da luta e contou com a falta de combatividade do rival. O judoca da Moldávia recebeu três punições, equivalentes a um wazari (pontuação média). Com mais um wazari por golpe, o brasileiro venceu o combate.

O judoca brasileiro venceu suas três primeiras lutas, contra o espanhol Kiyoshi Uematsu, o haitiano Ernest Laraque e o polonês Krzysztof Wilkomirski. Nas quartas-de-final, perdeu para o francês Daniel Fernandes, vice-campeão mundial, por wazari, e foi para a repescagem. Depois, o brasileiro venceu o isralense Yoel Razvozov na primeira luta e passou por David Kevkhishvili, da Geórgia, na segunda, e se credenciou para a disputa do bronze.

Após a conquista da medalha, Guilheiro disse que todo o sacrifício da preparação foi compensado. “Estou muito feliz. Já era o terceiro dia do Brasil sem medalhas. Dedico a medalha a Deus, à minha família e à minha mãe. Foi legal pra caramba. Bati três favoritos. Foi cansativo, foram sete lutas, mas o sacrifício foi recompensado”, comemorou Guilheiro.

O judoca admitiu que não estava entre os favoritos. Ele ressaltou que nos Jogos Olimpícos o aspecto psicológico é o mais importante. “Numa Olimpíada é a cabeça que faz a diferença. A importância de conquistar a primeira medalha do Brasil aqui em Atenas é muito grande e sei que ela vai abrir a porteira para um monte de outras medalhas, tanto no judô quanto nos outros esportes”, disse Leandro.

Para o judoca, o momento mais difícil foi o de superar a derrota para o francês Daniel Fernandes, nas quartas-de-final. “O Wagner Castropil (médico da equipe brasileira) chegou para mim no vestiário e falou que a medalha de bronze era tão importante quanto o ouro. Nesse momento eu resolvi que ia fazer da busca pelo bronze um torneio paralelo”, revelou.

O atleta, que cursa a faculdade de Direito, falou também do futuro. “Vou aproveitar esse tempo que terei para me recuperar de duas lesões (mão e quadril) e lembrarei muito das pessoas que ficaram ao meu lado nesses últimos momentos. Aprendi com o Rogério Sampaio e o Aurélio Miguel que uma medalha olímpica é um projeto, é algo que se pode acreditar”, afirmou.

Zangrando

Mas o dia não foi só de alegria para o judô brasileiro em Atenas. Após ter sido eliminada na repescagem da categoria leve (até 57kg), a brasileira Daniele Zangrando reclamou de uma decisão do juiz venezuelano Germán Contreras na luta contra a italiana Cinzia Cavazzuti.

Zangrando vencia a atleta européia com um wazari (pontuação média). Quando faltava menos de um minuto para o fim da luta, o árbitro puniu as duas lutadoras por falta de combatividade. Contreras, no entanto, reconsiderou a decisão e retirou a punição da italiana, o que empatou o combate.

Na prorrogação por golden score (o primeiro a pontuar ganha), Cavazzuti conseguiu um yuko e eliminou a brasileira. A mudança de decisão do juiz levou a atleta e a comissão técnica a reclamarem ao fim do combate.

“Quando percebi que a arbitragem mudaria a marcação, achei que retirariam a minha punição apenas, o que daria a vitória para mim de qualquer maneira. Quando vi que retiraram só a dela, não entendi nada. Não fiquei descontrolada por não ter vencido, mas ela se beneficiou com a decisão”, disse Zangrando.

Comentários

Comentários