Polícia

Advogado é achado morto em córrego

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

O advogado Jorge Luís Reis Charneca, 33 anos, foi achado morto por volta do meio-dia de ontem no córrego Santa Rosa, na estrada de terra que liga Bauru a Piratininga. A polícia está investigando o caso, mas como o carro, relógio e documentos da vítima desapareceram, a principal suspeita é que Charneca tenha sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Ele foi a 38.ª pessoa morta neste ano em Bauru.

O resultado do exame necroscópico, que deve precisar a causa da morte, deve ser divulgado hoje. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), adiantou que a vítima apresentava ferimento sob o queixo, um hematoma na cabeça e uma fratura na coluna.

Porém, Charneca teria morrido por afogamento, aponta o laudo que ontem ainda era extra-oficial. “Estamos investigando todas as hipóteses, mas como o carro e documentos sumiram, tudo indica que ele foi vítima de latrocínio”, diz Cardia. O carro do advogado é o Gol placas DAW 1793, de Bauru.

Com base nestas informações, há três hipóteses mais prováveis para o crime: o advogado foi jogado de cima da ponte, que tem cerca de três metros de altura - o que teria causado as lesões pelo corpo - e em seguida veio a afogar-se, ou foi agredido e depois jogado dentro do córrego, onde afogou-se. Ele ainda pode ter sido jogado da ponte e sido afogado pelo agressor.

Charneca era sócio de um escritório de advogacia na área central de Bauru, segundo Caio Augusto Aguirre, primo da vítima. Ele atuava na profissão há cerca de 10 anos, inclusive na área criminal, e há alguns meses comentou com a família que havia recebido ameaças de morte. “Ele contou que recebeu duas ameaças, via celular, há cerca de quatro meses, mas depois disso não ligaram mais”, relata Aguirre.

Por isso, Aguirre acredita que seu primo tenha mesmo sido vítima de latrocínio. “Ele não tinha inimigos, não imaginamos motivos para esse crime”, comenta. Charneca não chegou a procurar a polícia nem a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para registrar a ameaça. “Eu o conhecia muito bem, era uma pessoa tranqüila, fez parte do Conselho Tutelar, e nunca formalizou que havia sido vítima de ameaça”, diz Edson Reis, presidente da Subseção Bauru da OAB.

Sob a ponte

O corpo estava sob uma ponte de madeira, com as mesmas roupas que Charneca havia saído de sua casa, na Vila Ipiranga, onde morava com os pais, anteontem à noite. Ele saiu para dar aula em um curso pré-vestibular na Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde era voluntário.

Como não retornou, por volta das 10h de ontem, os familiares procuraram a polícia para registrar o desaparecimento do advogado. Logo em seguida, uma pessoa que passou pela ponte viu o corpo no córrego e acionou a Polícia Militar, conta o sargento Edmilson Marinho da Silva, da Base Comunitária Oeste. “Fomos até o local e achamos o corpo dentro d’água. Estava sem os sapatos, cinto e documentos”, diz.

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