Pederneiras - Na avaliação do prefeito Rubens Cury (PSDB) o crescimento da hidrovia Tietê-Paraná só não é maior por falta de vagões que façam o transporte da carga de Pederneiras (26 quilômetros a leste de Bauru) para o Porto de Santos.
Segundo ele, uma das empresas instaladas no porto intermodal do município estaria usando vagões próprios para fazer o escoamento dos grãos e a iniciativa estaria sendo estudada também por uma outra empresa como forma de atender a demanda pelo transporte.
De acordo com a assessoria de imprensa da Brasil Ferrovias, que controla a Ferroban, empresa responsável pelo trecho ferroviário que passa por Pederneiras, a demanda estaria sendo “plenamente atendida”.
Mesmo que haja um aumento na quantidade de grãos desembarcados em Pederneiras, a empresa garante que terá condições de atender a demanda.
Entre as principais vantagens que o município teve com a implantação do porto intermodal estão a criação de empregos e um aumento de arrecadação. Para o próximo ano, Cury informou que Pederneiras receberá 10% a mais de recursos, em comparação a este ano, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
A conquista estaria relacionada a um aumento na atividade industrial e comercial da cidade, o que inclui as empresas instaladas no porto e que exploram a hidrovia.
Segundo Cury, depois de passar por um período de abandono, o porto intermodal ganhou impulso, por volta de 1997, com a pavimentação da via de acesso e a construção de um ramal ferroviário, que levou os trilhos até a porta das empresas, facilitando o carregamento dos vagões.
“Na região, não existe nenhuma outra cidade que possui rodovia, ferrovia e hidrovia tão próximas”, afirma o prefeito. “É um negócio espetacular”, comemora.
Meta mantida
Nos seis primeiros meses deste ano, o total de cargas transportadas pela hidrovia Tietê-Paraná ultrapassa a marca de 1 milhão de toneladas. O resultado, segundo o diretor Oswaldo Rosseto Júnior, fez com que a Secretaria de Estado dos Transportes mantivesse a meta de 2 milhões de toneladas até o fim deste ano. Seria um crescimento de 12% em comparação ao total transportado em 2003.
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'Estrada aquática'
O transporte regional de cana-de-açúcar e calcário marcou o início da operação comercial do sistema, em 1981, numa extensão de 300 quilômetros. A abertura do Canal de Pereira Barreto – ponto de encontro dos dois rios (Tietê e Paraná) – possibilitou, a partir de 1991, o transporte de longo curso, numa extensão de 1.100 quilômetros, atingindo o Sul de Goiás e o Oeste de Minas Gerais.
O sistema hidroviário Tietê-Paraná tem hoje 2.400 quilômetros de vias navegáveis, desde Piracicaba e Conchas (SP) até Goiás e Minas Gerais, ao norte, e Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai, ao sul. O sistema liga cinco dos maiores Estados produtores de grãos do país (São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul) e forma, juntamente com o rio Paraguai em seus trechos argentino e paraguaio, uma rede hidroviária de aproximadamente 8 mil quilômetros, sendo portanto considerado como parte da Hidrovia do Mercosul.
A situação geográfica da hidrovia é importante para o desenvolvimento do Interior paulista, possibilitando uma integração intermodal.
Há cerca de 30 terminais de carga instalados ao longo da hidrovia, sendo os principais os de Pederneiras (com capacidade para movimentar 6 milhões de toneladas/ano de grãos), Anhembi e São Simão (GO).
Desta cidade, os grãos embarcam pelo rio Paranaíba e chegam a Pederneiras, percorrendo cerca de 700 quilômetros pela hidrovia e podendo prosseguir por ferrovia ou rodovia para o Interior ou Capital do Estado de São Paulo e também para o Porto de Santos.
Fonte: Secretaria de Estado dos Transportes