Saúde

Prevenção evita 70% das deficiências

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Alterações genéticas, doenças infecciosas, intoxicações severas e acidentes estão entre as principais causas de deficiências visuais, auditivas, mentais e físicas no mundo. Diante dessa constatação, calcula-se que sete em cada dez casos poderiam ser evitados com medidas preventivas simples.

De acordo com a Rede Saci (www.saci.org.br), 30% das deficiências no Brasil são causadas por doenças infecciosas, 20% por desnutrição, 20% por alterações congênitas (de nascença), 7% por acidentes domésticos, 5,5% por acidentes de trânsito, 2,5% por acidentes de trabalho e 15% por outras causas.

A maior parte dessas doenças poderia ser evitada com vacinas e tratamentos médicos adequados. A desnutrição poderia ser combatida com programas alimentares específicos. As alterações congênitas poderiam ser minimizadas com o planejamento familiar e o aconselhamento genético. E mesmo os acidentes poderiam ser drasticamente reduzidos com uma boa dose de prudência.

Difundir essas informações é o principal objetivo da Semana Municipal de Prevenção às Deficiências, que começa hoje e segue até o próximo sábado em Bauru.

Incidência

O último Censo Demográfico realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no ano 2000 identificou 24,5 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Isso significa que 14,5% da população brasileira apresenta pelo menos alguma alteração auditiva, física, mental ou visual.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 10% da população mundial apresenta algum tipo de deficiência. Apesar de mostrar-se um pouco acima desta estimativa, o índice levantado pelo IBGE é compatível com dados de outros países, como a Áustria (14,4%), Espanha (15%), Inglaterra (12,2%) e Noruega (13%).

Destes 24,5 milhões de brasileiros, 48,1% apresentam deficiência visual, 22,9% relatam deficiência motora, 16,7% são portadores de deficiência auditiva, 8,3% têm deficiência mental e 4,1% apresentam deficiências físicas.

Regionalmente, o maior número de casos concentra-se no Nordeste (16,8%) e o menor no Sudeste (13,1%). O Estado de São Paulo é o que tem a menor incidência no País (11,4%).

Conceitos

A legislação nacional classifica como deficiência toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica do indivíduo que gere incapacidade total ou parcial para o desempenho de alguma atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano. Tradicionalmente, essas alterações podem ser divididas em quatro grupos.

Considera-se deficiência auditiva todo distúrbio que acarrete a perda total ou parcial da capacidade que o indivíduo tem de compreender o que escuta. Em casos extremos, essa dificuldade chega a impedir o aprendizado da fala.

A deficiência visual é a perda total ou parcial da capacidade de enxergar e compreender o que se vê. Em muitos casos, a pessoa distingue a claridade da sombra, mas não consegue formar no cérebro uma imagem que possa ser interpretada.

A deficiência física é aquela em que alterações anatômicas ou motoras impedem o funcionamento normal do corpo humano. Pode ter origem cerebral (quando o sistema nervoso não comanda o corpo adequadamente), muscular, óssea ou articular.

A deficiência mental é determinada quando o mau funcionamento intelectual do indivíduo reduz sua capacidade de comunicação, de autocuidado, de trabalho, de aprendizado, de garantir a própria segurança ou saúde, de conviver adequadamente com outras pessoas. O portador destas alterações será sempre dependente de alguém.

Em todos os casos, a perda da autonomia mostra-se o principal problema das deficiências. Segundo o IBGE, do total de dos 24,5 milhões de brasileiros atingidos, apenas 36% conseguem um trabalho.

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