Os primeiros anos de vida da criança serão fundamentais para todo o seu desenvolvimento. Uma avaliação multidisciplinar é fundamental para prevenir distúrbios e deficiências. Logo nos primeiros dias de vida, o bebê deve ser submetido ao teste do pezinho, cuja realização é obrigatória por lei no Brasil.
O exame é realizado no sangue coletado por um furinho feito no calcanhar do bebê. O teste é capaz de identificar cerca de 40 doenças. De acordo com a médica endocrinologista Cibele Cabogrosso, duas delas estão diretamente relacionadas às deficiências física e mental: o hipotireoidismo (falta de hormônio) e a fenilcetonúria (organismo não metaboliza certo tipo de aminoácido).
Se não forem tratadas logo nas primeiras semanas de vida, as doenças acarretam prejuízos progressivos e irreversíveis à saúde física e mental da criança.
“O teste do pezinho é realizado até o quinto dia após o nascimento e permite que essas alterações sejam diagnosticadas e tratadas antes de haver seqüelas ao crescimento da criança. O hipotireoidismo é controlado com a reposição do hormônio da tireóide. A fenilcetonúria é controlada com uma dieta que exclui os aminoácidos não metabolizados. Ambas exigirão tratamento pelo resto da vida”, explica a médica.
O recém-nascido também pode ser submetido aos testes do olhinho e da orelhinha. De acordo com o médico oftalmologista Raul Gonçalves de Paula, as principais causas de deficiência visual no recém-nascido são a contaminação da mãe por doenças infecciosas, as malformações, as alterações genéticas (catarata e glaucoma congênitos) e as complicações do parto (retinopatia da prematuridade ou descolamento de retina).
Muitas destas alterações podem ser revertidas se diagnosticadas e tratadas nos primeiros dias de vida do bebê. Outra patologia que pode ser revertida quando descoberta precocemente é a ambliopia - o chamado olho preguiçoso.
O médico explica que a capacidade visual do ser humano precisa ser amadurecida nos primeiros anos de vida. Numa criança saudável, a acuidade visual atinge os 100% por volta dos 7 anos de idade. “Mas se a criança tem miopia, astigmatismo ou hipermetropia, o organismo vai escolher um olho para treinar mais, em detrimento do outro, que fica fraco”, explica.
A ambliopia pode ser facilmente corrigida com o uso de lentes e de tampão sobre o olho “bom” para forçar o outro olho a enxergar. “Mas o médico tem pouco tempo para agir. A doença pode tornar-se irreversível se não for tratada até os 6 ou 7 anos de idade”, salienta.
A triagem auditiva é feita com testes simples e indolores que verificam os reflexos da criança a determinados estímulos sonoros. Segundo especialistas, a criança que não escuta bem terá sérios prejuízos na aquisição da fala e linguagem, no convívio social e no desempenho escolar.
O diagnóstico feito até o terceiro mês de vida e o início do tratamento até o sexto mês permitiriam que essa mesma criança tivesse um desenvolvimento normal destas habilidades.