Wilson Lima dos Santos tem 23 anos, cursa a 6.ª série do ensino fundamental e nunca navegou pela Internet. Ele estuda na escola Edson Bastos Gasparini, na periferia de Bauru, onde há cerca de cinco anos o governo do Estado implantou uma sala ambiente de informática (SAI), com a proposta de promover a inclusão digital dos alunos.
O estudante afirma que encontra diariamente a sala fechada no período noturno e nunca desenvolveu qualquer atividade com os computadores. “Só há pouco tempo eu descobri que existe a sala de computação. Eu nunca nem entrei lá dentro”, diz. Wilson está em busca de emprego e acredita que, sem o domínio dessa ferramenta, está em desvantagem na concorrência por uma vaga no mercado de trabalho.
Assim como Wilson, outros estudantes das escolas da rede pública estadual e municipal reclamam da falta de acesso aos computadores e à Internet nas salas de informática.
O JC nos Bairros percorreu cerca de dez escolas públicas de Bauru, nos três períodos de aula, e constatou que o processo de inclusão digital nesses espaços tem sido marcado por dificuldades. Entre elas, está a falta de infra-estrutura para atender à demanda de alunos ou simplesmente de gerenciamento adequado dos recursos.
Há estabelecimentos de ensino, por exemplo, que mantêm a sala de informática boa parte do tempo fechada. Esse é o caso da escola estadual Mercedes Paz Bueno, no bairro Higienópolis. Segundo informações da própria direção da unidade, exceto para as aulas de reforço, a sala de informática só é aberta aos sábados e domingos para atender aos participantes do Programa Escola da Família.
Outro exemplo de subutilização do espaço de inclusão digital pode ser encontrado na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Cônego Aníbal Difrância. Cheirando a guardado, os 21 computadores da sala de informática são usados, em média, apenas uma vez por mês, segundo a diretoria da unidade.
Há escolas estaduais - como a Ernesto Monte, nos Altos da Cidade, e a Joaquim Madureira, no Parque Vista Alegre - onde o gerenciamento da sala de informática tem sido, aparentemente, mais democrático para os alunos. As unidades oferecem aos estudantes a possibilidade de agendamento para utilização da Internet sob a supervisão de monitores. Entretanto, segundo os estudantes, ainda assim o acesso aos computadores é marcado por dificuldades. Isso porque o laboratório não fica aberto de forma permanente para atender aos alunos de acordo com a sua disponibilidade de horário. Na maior parte das escolas visitadas, o JC nos Bairros flagrou as salas de informática fechadas.