Para o representante da Secretaria de Estado de Educação, Tirone Chahad, a dificuldade de acesso à sala de informática nas escolas públicas está relacionada a problemas de gerenciamento das próprias unidades.
“Nós temos orientado os diretores a permitir o acesso às salas. Isso é um instrumento de trabalho e um instrumento para ser utilizado. Porque se você trancar tudo numa sala e não deixar ninguém usar daqui há um ano pode jogar fora. A política da secretaria é de que as escolas façam a abertura desses laboratórios, inclusive nos finais de semana”, diz.
Chahad é diretor-executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE) – órgão responsável pela execução das políticas educacionais no Estado.
Segundo ele, os laboratórios devem permitir o acesso dos alunos em horários diversificados. “O que falta talvez é um esquema organizacional da própria escola em permitir que os alunos tenham acesso aos laboratórios em horários alternativos”, diz.
Em relação à infra-estrutura, Chahad admite que o número de computadores disponibilizado nas salas não é ideal, mas afirma que com um bom gerenciamento do espaço os alunos poderão ser atendidos. O diretor faz um paralelo com as escolas particulares e afirma que o número de computadores nas escolas públicas não está tão distante do ensino privado. Segundo ele, nas escolas particulares a média é de 70 alunos por microcomputador. Já no Estado esse número chega a 95 alunos por agrupamento. “Desde que você organize os laboratórios é possível fazer o atendimento”, acredita. Em Bauru, as escolas estaduais possuem dez computadores em cada sala ambiente de informática.
Segundo Chahad, a partir de 2006, o governo deve iniciar a ampliação do número de computadores nas escolas. A idéia, afirma o diretor, é que cada sala de informática tenha 20 máquinas em funcionamento. “A média de dois alunos por máquina é boa”, afirma.
Para o diretor, o processo de inclusão nas escolas está ocorrendo de forma efetiva. “O Estado está fazendo um esforço, e não é um esforço qualquer. É um esforço bastante significativo de colocar os computadores nas escolas, de capacitar os professores e permitir que a comunidade também tenha acesso”, diz. A mesma opinião não é compartilhada pela pesquisadora da PUC-SP, Neide de Aquino Noffs.
Segundo a dirigente regional de ensino de Bauru, Vera Nilce Lüdke Jarussi, há escolas que ainda estão familiarizando-se com as novas tecnologias e organizando-se gradativamente para o processo de inclusão digital. “É um processo que vai ocorrendo devagar, que vai abrindo as portas”, diz
Sem horário alternativo
Nas escolas da prefeitura, os laboratórios de informática não são utilizados pelos alunos fora do horário de aula. A secretária de Educação afirma que as salas foram pensadas para serem utilizadas pelo professor durante o desenvolvimento das atividades de classe.
“Quando nós pensamos na criação das salas pólo de informática, nós pensamos nelas para a utilização do professor, para que ele desenvolvesse a sua matéria, a sua área de trabalho na sala de informática”, diz.
A secretária diz que há intenção do espaço ser aberto para a comunidade futuramente. Em algumas escolas, segundo ela, pais de alunos já estão utilizando o espaço, mediante agendamento.
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Educando
O professor Bruno Fuser da PUC-Campinas, pesquisador da área de comunicação e cidadania, afirma que a maior parte dos teóricos da educação tende a apontar a tecnologia como um meio para potencializar as informações dentro do processo de aprendizado. “Ele (computador) não é visto como um fim, mas como um meio de potencializar saberes”, diz.
Nesse sentido, o professor lembra que, dentro do processo de inclusão digital, não basta dar acesso às máquinas, mas sim oferecer aos alunos as condições educativas para o uso dos equipamentos.
“A primeira condição mínima seria a oferta de educação para os meios. É preciso oferecer assistência para o uso desse equipamento. Esse equipamento muitas vezes fica parado na escola. O aluno pode utilizá-lo mas não há um monitor, alguém que o oriente a buscar um uso que ele (aluno) considere mais adequado”, diz.
Fuser afirma que hoje os conceitos de inclusão digital e inclusão social são indissociáveis. E cada vez mais se discute a necessidade de tornar as novas tecnologias da informação acessíveis a todos os segmentos da população, como forma de construir uma sociedade mais justa e igualitária. “Ter acesso à informação hoje é um pré-requisito para o exercício da cidadania”, conclui.