Regional

Lenda do saci-pererê em Botucatu começou com pesquisa de alunos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A história do saci em Botucatu começou há mais de 15 anos com um grupo de estudantes que resolveu pesquisar se na serra da cidade havia, realmente, a aparição de extraterrestres, discos voadores, explica o presidente da Associação Nacional dos Criadores de Sacis (ANCS), José Osvaldo Guimarães. “Nós fomos para a Cuesta e começamos a conversar com os moradores daquela região.”

Os estudantes questionavam sobre as aparições que tanto se falava na cidade e todos os moradores negavam as aparições dos extraterrestres. “Até que, conversando com um senhor que estava acompanhado de seu filho menor, descobrimos que havia sacis.”

Guimarães lembra que questionava o pai sobre coisas estranhas. “O menino respondeu que algo estranho acontecia naquela região. Ele contou que em uma noite a família ouviu o cavalo correndo e, no outro dia, o animal estava bastante cansado para trabalhar. O pai explicou então que isso não era nada de mais. Era a ação do saci.”

O depoimento do pai e do menino despertou a curiosidade dos jovens. “Foi na região das Três Pedras, um lugar muito bonito. O grupo se interessou e o senhor contou que ele tinha uma perna só e que era o autor de várias peripécias, dentre elas, o autor das tranças da crina dos cavalos, do desaparecimento de ferramentas e o responsável por talhar o leite dentre outras brincadeiras.”

Na época o grupo achou que a família estava apenas brincando com os estudantes e não levou muito á sério. “Passados alguns anos, eu fui trabalhar em Itajubá, no Sul de Minas Gerais, e lá fiquei sabendo que havia uma pessoa que criava sacis. Me interessei e não sosseguei até encontrá-lo.”

Guimarães garante que conseguiu a doação de um casal de sacis. “Acionei o grupo e trouxe o casal de sacis mineiros para viver na cuesta botucatuense. Ele vieram em viveiros e gradativamente foram sendo soltos na mata. Aguardamos o tempo de adaptação deles.”

Com a chegada dos casais, os sacis remanescentes que estavam diminuindo em função da luz elétrica e do desmatamento aumentaram. “Calculamos que atualmente tenha cerca de 22 sacis nessa região.”

De acordo com o presidente, a partir da adaptação dos sacis em seu habitat natural, o grupo decidiu fundar a associação. “Percebemos que estávamos criando sacis. Hoje temos o nosso estatuto e trabalhamos para preservar a mata e para manter o folclore. O nosso grupo tem 40 pessoas.”

Fora os associados, os criadores contam com o apoio e a colaboração dos agentes culturais que alimentam o imaginário das pessoas. Para ele, o trabalho que teve início com uma curiosidade de estudantes, foi muito maior do que o esperado.

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