A polenta de fubá tem uma consistência e um recheio diferente em Botucatu. Isso porque, depois de pronta, ela recebe um toque especial do saci, garante Tereza Oliveira Guimarães, 69 anos.
A receita ela não guarda a sete chaves, mas tem consciência de que quando faz o prato da cozinha italiana sozinha, não tem o mesmo sabor. “Meu encontro com o saci ocorreu há muitos anos, em minha casa. Ele furtou uma polenta pronta da cozinha. Eu vi ele fugindo com a travessa na mão”.
A polenta do saci tem o seu feitio tradicional, porém na montagem leva outros ingredientes. “Eu coloco uma camada de polenta e sobre ela duas fatias de queijo mussarela fatiado bem fininho e uma camada fina de molho de carne moída ou de frango desfiado. Sobre essa camada, outra de polenta e para finalizar, molho e queijo novamente.”
Como figura do folclore brasileiro, o saci também gosta do cafezinho, mas do tropeiro. Uma bebida feita com pó genuinamente caipira e com água do aqüífero Guarani (antigo aqüífero Botucatu), a maior reserva de água doce do mundo.
Embora pareça igual, o café, depois de fervido, recebe uma brasa, que faz o pó descer e somente a parte líquida é servida.
Doces
As Travessuras do Saci, uma massa em forma de nó passada na calda e no coco, é a guloseima criada pelo Centro Comunitário São Judas de Botucatu para adoçar a boca dos visitantes. “A receita é de uma massa doce comum. A forma é de nó para lembrar uma brincadeira que o saci faz com a crina dos cavalos. O sabor é diferente porque o animal dá uma mãozinha na hora de fazer.”
Já a Sacizada é um doce em forma de bolinha com canela e açúcar e o bambolê recebe a forma arredondada e é confeccionada com farinha de soja.