A edição n.º 1867 da revista Veja (18/8/04) traz como matéria de capa a reportagem “A tentação autoritária”, numa abordagem bastante séria sobre a tentativa do PT em se perpetuar no poder. Na mesma edição, na seção “Cartas”, está um comentário do dr. Manoel Justino Bezerra Filho, juiz do 1.º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo, o qual transcrevo abaixo:
“O regime de força (ou aquele que pretende sê-lo) precisa calar aqueles que pretendem criticá-lo, confrontá-lo ou punir seus favoritos. A história mostra que primeiramente se avança sobre a imprensa e, a seguir, sobre o Judiciário. Com relação ao Judiciário, um bom começo é o controle externo, agregado ao impedimento de investigações pelo Ministério Público, mais a “lei da mordaça”. Para a imprensa, o bom começo é o projeto que o governo acabou de mandar ao Congresso Nacional propondo a criação do Conselho Federal de Jornalismo. Como se percebe, apenas se inverteu aqui a ordem do ataque, primeiro sobre o Judiciário independente e a seguir sobre a imprensa livre. Vamos ver se finalmente a imprensa começa a perceber que, para ser livre, necessita de um Judiciário independente.”
Ainda a mesma revista na seção “Veja essa” tem uma declaração do ex-presidente Collor, em que o mesmo compara o atual tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a P.C. Farias: “O Delúbio é muito mais abrangente do que foi o Paulo Cesar”, afirma Collor. (Não podemos esquecer de que o Esquema P.C. Farias só veio a público graças a uma imprensa livre.)
Some-se a isso a proposta do governo para criar a Ancinav, agência pela qual terá o controle no país, de toda produção artística e cultural do cinema e demais meios de comunicação audiovisual (rádio, tv, internet, etc...). Tudo isso aplicado sobre uma população tradicionalmente pacífica e sem memória, que se encontra amedrontada, desempregada e desiludida, e teremos então a concretização do ideal sonhado há décadas pela esquerda brasileira: transformar o Brasil numa imensa Cuba.
Enquanto o “Grande Líder” não pode ainda fazer uso de todo o poder e mandar para o “paredón” seus opositores, vai fuzilando-os verbalmente, como no recente episódio em que chamou de covardes àqueles jornalistas que corajosamente ousaram opor-se a essa ingerência em sua categoria profissional.
Antonio Vitorino Ferreira