São Paulo sediou, na última semana, a primeira feira totalmente voltada para o setor de pequeno varejo: a Feira de Supermercados e Pequenos Varejistas (Fespev), que reuniu cerca de 90 expositores e 17 centrais de compras do Estado, entre elas, Reunis, de Guarulhos; Unimerc, de São Paulo; Icoval, de São José dos Campos; Rede 20, de Assis; Rede 10, de Ribeirão Preto, e a Centrecom, de Santo André.
As centrais são núcleos que reúnem os pequenos varejistas para obter melhores condições na compra de mercadorias junto aos fornecedores. De acordo com Edson Tokuzumi, diretor da Monroe Logística, organizadora do evento, o objetivo da feira é ser um grande balcão de negócios para o expositor, que poderá negociar com as centrais de compras e varejistas independentes, que visitaram a feira.
“Queremos fortalecer as centrais de compra já existentes e ajudar no aumento do número dessas centrais pelo País. Por isso, estamos colocando proprietários de pequenos comércios, principalmente do ramo supermercadista, em contato com as centrais de compras e com empresas de serviços.”
Pesquisa realizada recentemente pela revista Distribuição, uma das mais importantes do setor, revela que os pequenos supermercados (ou seja, as lojas com até quatro caixas) continuam sendo o ponto de comércio preferido do consumidor em todo o País. Foi o único segmento que viu seu faturamento saltar de 35,9% em 2001 para 38,3%, em 2003. As vendas também aumentaram 6,2% em 2003, segundo o índice AC Nielsen.
Segundo a revista, nos últimos três anos o universo formado por 800 mil lojas de todos os tipos e portes, sejam as tradicionais de balcão ou supermercados de até quatro check outs, cresceu três vezes mais que a população brasileira nos últimos dez anos.
Estimativas são de que cerca de 10 mil pessoas, entre fornecedores e lojistas, tenham passado pela feira, movimentando em torno de R$ 700 milhões nos dois dias do evento. “Os pequenos podem conquistar mais espaço, podemos ter parcerias que vão melhorar o abastecimento, tornar os preços mais competitivos. É o que pretendemos com a Fespev”, diz Tokuzumi.
Segundo ele, a feira promove também o desenvolvimento da logística do pequeno varejo, tentando equacionar a dificuldade da distribuição física dos produtos, que se complica pelo grande número e pulverização dos pequenos supermercadistas. “Queremos mostrar que, comprando das centrais de compras, o pequeno varejo centralizará também a distribuição. A Monroe quer se especializar no destino e não na origem”, afirma o diretor.
Tokumini explica que a maioria das empresas de entrega é especialista na origem, que saem das empresas com ociosidade nos caminhões. “Somos os maiores transportadores de vento”. A idéia, segundo ele, é que o pequeno varejista compre da central de compras o que precisa para sua empresa e a transportadora envia para aquele destino apenas um caminhão carregado de mercadorias.
De acordo com o diretor, esse processo já é feito na Europa com sucesso, com centrais de compras maiores que a grandes redes varejistas. “Filiar-se a essas centrais significará no futuro a sobrevivência do próprio negócio. Se pudéssemos montar uma rede com as centrais de compras já existentes, com certeza seríamos maiores do que o Carrefour ou o Pão de Açúcar. Falta ainda organização”, diz.
Ainda na avaliação dele, ganham com a estratégia os pequenos supermercados, a empresa de distribuição, os fornecedores e o próprio consumidor final. “Com um sistema de distribuição eficiente, os consumidores certamente encontrarão maior variedade de produtos nas gôndolas”, destaca.
Também é possível que ocorra uma redução no custo final para os supermercados, devido à eliminação de desperdícios logísticos na cadeia de distribuição. Isso poderá ser repassado na forma de melhora da margem das lojas e barateamento dos produtos ao consumidor.