Bairros

Terra de todos


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Estão os poderes públicos constituídos preocupados, mais que nunca, com a guerra seu trégua que os sem-terra desencadeiam em vários Estados, realizando invasões de glebas de vários tipos de solo e muitas dimensões. Não escolhem, precisamente, os destemidos “guerreiros”, as condições geométricas de suas predileções, porque aprenderam, através da história do mundo, que Deus criou a terra como um bem de todos e, por isso, pertencente a todos, tenham as disposições que tenham.

Até por esse nobilíssimo princípio, que não pode ser desconhecido e nem desconsiderado de ninguém, eles dão seqüência ininterrupta aos seus impulsos, por eles oferecendo, inclusive, a própria existência, como têm patenteado em conflitos que já deflagraram em diferentes partes da nação, tomando à valentona as terras com que sonham. Se o dadivoso solo é do homem desde que o mundo é mundo, há 2 mil anos, todo o espaço terráqueo brasileiro (mais de 8 milhões de quilômetros quadrados) também pertence aos sem-terra, não podendo ser subtraído dos índios, que foram encontrados aqui pelas caravelas de Cabral, e dos camponeses em geral, que se alojaram nestas campinas e foram expulsos, como ainda o são, peça força de preconceitos econômicos, profundamente injustos, terrivelmente anti-humanos, sob a errônea alegação de que “o índio é um estorvo ao desenvolvimento” e, no que se refere aos camponeses, constituem milhões em busca de terra para seu trabalho, produtor de recursos financeiros para o sustento seu e de sua família.

Como consegui-la se ela, na sua quase totalidade, aí se encontra beneficiando mais aqueles que já possuem bastante e estrangulando sempre mais os que estão tentando começar ou recomeçar, sem condições de participar e contribuir com seu quinhão para a melhoria dos destinos agropecuários do país? Daí, os conflitos, as conflagrações, que não são por sua posse, mas seu usufruto, já que na sua maior parte, no Amazonas, Mato Grosso, Pará, Maranhão, Piauí e outros Estados, a terra não é aproveitada pelos que a adotaram como sua, subtraindo-a dos indígenas.

Pergunta-se até quando os sem-terra continuarão sem ela e se responde: “Enquanto o sistema político-econômico continuar a favor do capitalismo e o modelo educacional servir de instrumento à sustentação desse sistema, inclusive desestimulando a vida rural e seus valores”. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado e jornalista responsável do JC.

“Entre o esplendor e o desastre na vala comum a revolta não terá sido mais fecunda que a contemplação e a renúncia. Nem a sofreguidão e o desespero perdurarão mais que as frustrações”.

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