Regional

Documentação atrasa apreensão de cães

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Saúde Coletiva (DSC) anunciou que começaria a recolher animais com suspeita de leishmaniose soltos nas ruas usando de um caminhão adaptado com uma carroceria especial. Porém, o serviço ainda não está sendo realizado pois depende de uma documentação que viabilize a circulação do veículo, adquirido pela Prefeitura Municipal de Bauru por meio de uma verba federal.

A inspeção do caminhão de recolha foi feita pela 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) na última quarta-feira, de acordo com a diretora do DSC, Maria Helena Abreu. A partir dessa data, o órgão possui um prazo de dez dias úteis para a liberação dos documentos do veículo. Dessa forma, a previsão é de que a apreensão de animais errantes tenha início na primeira semana de setembro.

“Só estamos esperando a documentação chegar, o seguro será acionado para fazer a vistoria e (em seguida) o caminhão estará autorizado a rodar” confirma Maria Helena. O veículo foi adquirido no final de julho pela prefeitura, que deu início aos trabalhos de adaptação da carroceria.

O caminhão tem capacidade para abrigar aproximadamente 20 animais, entre cães e gatos abandonados nas ruas. Os cachorros terão preferência, já que 497 deles foram contaminados por leishmaniose desde janeiro até 31 de julho. Desde setembro do ano passado, o DSC analisou 7.538 cães, dos quais 855 já foram sacrificados. A cidade possui 15 casos confirmados de leishmaniose visceral em humanos neste ano e quatro pessoas, já morreram vítimas da doença.

Com o caminhão de recolha em circulação, uma equipe de três profissionais vai percorrer as ruas da cidade retirando animais abandonados. A ação terá início em bairros da zona oeste - classificados como principais focos de leishmaniose - como Vila Dutra, Vila Nova Esperança e Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). “O animal será apreendido, examinado pelo veterinário no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e, se tiver indicação técnica, será sacrificado de imediato”, explica Maria Helena.

Atualmente, os serviços de análise e sacrifício dos cães com suspeita de leishmaniose são realizados em um dos dois canis da prefeitura. Para separar animais sadios dos doentes, são necessários dois abrigos. O segundo canil está sendo reformado desde o início do mês, após a desocupação do local pela União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) (leia mais ao lado). O local está previsto para ser entregue até o final deste mês, de acordo com Maria Helena.

“O canil que está em reforma será de isolamento, vai servir principalmente para a colocação de cães em observação, como os suspeitos de raiva. No caso de leishmaniose, quando o cão é positivo, o sacrifício é imediato”, diz a diretora do DSC. “(O serviço de recolha) hoje é feito no primeiro canil porque ainda não temos implantada a apreensão de animais soltos”, completa.

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Uipa doa animais

Em 12 de julho, a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) atendeu a uma liminar de reintegração de posse concedida à prefeitura e desocupou o canil municipal - que funcionava no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), no Jardim Redentor. Sem ter um lugar para abrigar os animais, a ONG transferiu 208 cães e gatos para uma chácara cedida por voluntários. Desde esse período, a entidade busca pessoas interessadas em adotar animais.

Atualmente, a Uipa possui 25 cães saudáveis para adoção, explica a presidente da entidade, Ângela Maria Heiffig da Silva. “Estamos doando cães sadios para famílias interessadas em animais de estimação. Em outra oportunidade vamos doar gatos”, diz. Quase 40 animais já foram adotados os outros estão em tratamento. “Não vamos entregar animais doentes”, afirma Ângela. “Nossos animais já foram testados e não estão com suspeita de leishmaniose”, frisa.

Existente há 20 anos, a Uipa realiza o trabalho de recolha, abrigo e tratamento de cães e gatos para adoção. Enquanto não tiver outro canil, a Uipa não recolherá mais animais. Além de não contar com um local apropriado, a entidade não está mais recebendo doações de alimentos e serviços, entre eles a ração para cães e gatos. “Temos que reiniciar parcerias para construir um novo abrigo e continuar fazendo nosso trabalho”, afirma Ângela.

Os interessados em adotar um dos 25 cães disponibilizados pela Uipa devem entrar em contato com a entidade pelo telefone (14) 9705-1408. “As pessoas farão um credenciamento e vão indicar suas preferências em relação ao animal. Esse é o único contato para a adoção de animais”, reforça.

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