Economia & Negócios

Grevistas passam por avaliação médica

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 2 min

Dois funcionários do Fórum de Bauru, que estão em greve de fome desde a última segunda-feira à tarde, foram submetidos ontem pela manhã a uma avaliação médica. Luciana Dias Duarte e Benedito José Almeida Falcão estão protestando contra o impasse nas negociações entre os servidores do Judiciário e a presidência do Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo. A categoria está em greve há dois meses e reivindica reajuste salarial de 26,39% e melhores condições de trabalho.

De acordo com o clínico-geral da Secretaria Municipal da Saúde Nilson Sebastião Miranda, o estado de saúde do casal, até ontem, era bom. “Clinicamente eu percebo que eles estão bem. É o início de um jejum prolongado, em que as manifestações clínicas são leves. Então, a gente percebe que o estado geral deles é bom”, afirma.

Entretanto, o médico aconselhou os servidores a interromper o jejum e os alertou para o perigo de permanecerem por muito tempo sem ingerir alimentos. “Em se prolongando esse jejum, a gente tem algumas manifestações metabólicas importantes e a pessoa pode evoluir para um quadro de anemia, hipotensão, alterações neurológicas, baixa de imunidade, e é quando começam a surgir infecções”, diz. A avaliação clínica foi solicitada pelo próprio comando de greve. Durante o exame, o médico coletou sangue e mediu a pressão dos grevistas.

Desde as 12h da última segunda-feira, a dieta do casal inclui apenas água e água de côco. O sacrifício, segundo Luciana, é necessário para chamar a atenção da sociedade para a causa dos servidores e “forçar” a reabertura das negociações com o TJ. “Eu estou sentindo muita fraqueza. Já estou com dificuldade de raciocínio. Mas isso vale a pena para a gente poder chamar a atenção da imprensa e da população”, diz.

Falcão afirma que deve manter a greve de fome por tempo indeterminado. Ele diz que o ato representa a resistência e disposição da categoria em continuar a reivindicação por melhores salários e condições de trabalho.

“A nossa situação é difícil, mas é necessária para que a população tome consciência do que realmente acontece aqui no Judiciário. Porque mais difícil do que nossa situação, é a situação que está vivendo a Justiça aqui no Estado de São Paulo”, diz.

Além de privar-se de alimentos, o casal também está, desde o início da semana, acampado em frente ao prédio do Fórum, pernoitando em uma barraca.

Assembléia

A assembléia geral realizada na última quarta-feira, na Capital, decidiu pela continuidade da greve. Luciana afirma que o movimento ganhou força no Estado com a suspensão da liminar que ordenava o retorno ao trabalho de 60% da categoria, sob pena de cobrança de multa diária de R$ 50 mil das entidades líderes da greve. A liminar foi concedida no dia 9 de agosto pela juíza da 21.ª Vara Federal, Luciana da Costa Aguiar Alves Henrique. Anteontem, o desembargador Nery Júnior, do Tribunal Regional Federal, acolheu o recurso dos servidores e cassou a liminar.

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