Depois de transcorridas 24 horas da fuga de 17 internos da unidade de Bauru da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem), apenas quatro adolescentes haviam sido recapturados pela Polícia Militar (PM) até ontem à noite. Outros dois retornaram espontaneamente à fundação.
Por essa razão, as buscas pelos fugitivos vão continuar na região do Núcleo Habitacional Presidente Geisel, do Jardim Redentor, do Núcleo Habitacional Mary Dota, do José Regino e do Jardim Santa Teresinha, informa o comandante da 4ª Companhia da PM, capitão Nélson Garcia Filho.
“Da outra vez que fugiram 16 (setembro do ano passado), em duas semanas recapturamos todos os (adolescentes moradores) de Bauru”, diz o capitão. Na época, os internos que também eram da Unidade de Internação (UI) renderam oito funcionários. Desta vez o esforço foi menor, pois apenas quatro estavam trabalhando na unidade. Todos foram trancados num cômodo da UI.
De acordo com a assessoria de imprensa da Febem, os adolescentes também dominaram os três vigilantes terceirizados que faziam a guarda do prédio. Os sete trabalhadores que ontem estavam na unidade tinham como incumbência controlar 73 internos.
O número de servidores não chegou a dez porque três servidores faltaram ao serviço, provavelmente devido à greve da categoria que reivindica reajuste salarial. Anteontem durante o dia, 47% funcionários haviam aderido à paralisação. Dos 45 do turno apenas 23 foram trabalhar.
“Bauru é prova viva de que mesmo com todos os funcionários trabalhando, outras fugas ocorreram. A responsabilidade é do Estado, que não aparelha a unidade”, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo, Antônio Gilberto da Silva.
A assessoria de imprensa da Febem também não atribui a fuga à greve, mas à ânsia de liberdade que os internos têm. Por essa razão, a instituição não pretende alterar a rotina de trabalho da unidade, que solicitou a intensificação do patrulhamento da PM.
“A diretora (Celi Aparecida Martins Perpétuo) nos pediu para passar mais vezes em dias de visita. Fora isso, mantemos o patrulhamento normal. Ela faz um bom trabalho, dentro do que é preconizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e bem alinhado aos direitos humanos”, conclui Garcia Filho.
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Secretaria da Justiça
A Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) não está mais vinculada à Secretaria do Estado da Educação. A partir de hoje, por decisão do governador do Estado, Geraldo Alckmin (PSDB), a instituição passa a ser vinculada à pasta da Justiça e da Defesa da Cidadania.
Segundo ele, o objetivo é aproximar a Febem do Judiciário e do Ministério Público. Com as mudanças, o secretário da Justiça e Defesa da Cidadania, Alexandre de Moraes assume a presidência da instituição, acumulando as duas funções. O ex-titular, Marcos Monteiro, passa a ser vice-presidente e ficará responsável pela área educacional.
A alteração visa agilizar o trâmite do processo dos adolescentes, que atualmente entre o relatório da instituição e a deliberação do juiz é de aproximadamente 30 dias, informa a assessoria de imprensa da Febem. O projeto pedagógico adotado deve ser mantido, assim como a direção das unidades.
“Mas não adianta mudar de secretaria se não mudar a política. Em 2002, a Febem passou da Secretaria da Assistência para a Educação e a situação ficou ainda mais precária. A única coisa boa é que o secretário (Alexandre de Moraes) é uma pessoa séria com um trabalho muito consistente”, diz o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência ao Menor e à Família do Estado de São Paulo, Antônio Gilberto da Silva.