Regional

Dentista filmava pacientes no banheiro

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Bocaina - O dentista Fábio Inforzato, 29 anos, está sendo acusado de atentado violento ao pudor depois que funcionários do consultório onde trabalha descobriram que ele havia instalado uma microcâmera no banheiro para filmar as pessoas em suas intimidades.

Após a denúncia, a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) obteve um mandado de busca e conseguiu apreender no consultório vários equipamentos de vídeo e fitas com imagens de pacientes e funcionários usando o banheiro.

Ao perceber que a polícia já sabia de suas gravações, Inforzato retirou a microcâmera do consultório e jogou-a no córrego do Himalaia. No entanto, o equipamento foi localizado pela polícia pouco depois, por indicação do próprio acusado.

Em depoimento ao delegado da DIG, Edmilson Bataier, o dentista teria justificado a instalação do aparelho por estar desconfiado de que o consultório estaria sendo furtado por funcionários.

A microcâmera foi colocada dentro de uma tomada de energia com o foco voltado para o vaso sanitário. A imagem era captada por um videocassete instalado dentro do consultório do dentista, em uma sala separada, onde ele não gostava muito que as funcionárias entrassem.

A filmagem, segundo contou uma ex-secretária que pediu para não ser identificada, deve ter começado no fim do ano passado, quando o vídeo foi levado para o consultório. Mas ela só foi descoberta na terça-feira passada, por uma outra funcionária que trabalha atualmente no local.

Ela informou ao JC que já havia visto o vídeo ligado outras vezes, mesmo sem nenhuma televisão por perto, achou estranho, mas nunca desconfiou que poderia estar gravando imagens de uma câmera escondida.

A descoberta

Na terça-feira passada, enquanto usava o banheiro a funcionária percebeu que algo estava refletindo por um dos buracos da tomada de energia que fica de frente para o vaso. A secretária, que também pediu para não ser identificada, ligou para o marido e contou o que havia visto. Quando ele chegou ao consultório, foram ver o que era e descobriram que se tratava de uma microcâmera.

O fio saía do outro lado da parede, onde existe uma outra tomada, passava pela janela da cozinha, depois por cima da laje e, finalmente, chegava até o videocassete.

A polícia foi avisada e anteontem, com um mandado de busca, foi até o consultório, mas não conseguiu realizar o flagrante. Quando os policiais chegaram, Inforzato, talvez já sabendo da denúncia, havia retirado a microcâmera. Segundo a secretária, ele teria tentado também levar embora o vídeocassete e as fitas, mas teria sido impedido por algumas pessoas que sabiam que a polícia estava chegando.

O dentista foi para casa e, quando os policiais foram procurá-lo para saber da microcâmera, ele disse que havia jogado no córrego do Himalaia. Inforzato foi até o local com os policiais e indicou onde estava o aparelho.

Além da microcâmera, do videocassete e das fitas, a DIG apreendeu ainda uma minitelevisão, um computador e disquetes. “Não temos evidências nenhuma disso, mas queremos saber se as imagens foram usadas na Internet ou algo parecido”, disse Bataier.

Ontem, funcionárias da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) exibiram as fitas para as duas secretárias que trabalharam no consultório com Inforzato para identificar as pessoas que aparecem nas imagens. A idéia, segundo Bataier, é dar a essas pessoas a oportunidade, se quiserem, de denunciar o dentista civil e criminalmente.

Segundo o delegado, o acusado deverá ser indiciado por atentado violento ao pudor, cuja pena varia de seis a dez anos. Como não houve flagrante, ele responderá em liberdade à acusação.

A reportagem procurou o advogado Braz Daniel Zeber, que representa o acusado, mas ele não estava em casa. Inforzato também foi procurado e não foi localizado. Foi deixado recado na secretária eletrônica, mas até o fechamento da edição, ele não havia retornado a ligação.

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‘Educado’

De acordo com uma ex-funcionária, Fábio Inforzato começou a atender no consultório há cerca de um ano e nove meses. Desde então, a clientela teria aumentado consideravelmente, a ponto do dentista estar com a agenda lotada praticamente todos os dias. O atendimento era feito das 14h às 19h.

Sempre educado, o dentista, segundo as funcionárias, nunca teria levantado qualquer suspeita que as levasse a desconfiar dele. “Ele nunca faltou com respeito, nunca me cantou e nem se insinuou”, declara uma delas.

Inforzato é solteiro, mora com os pais, e teria terminado recentemente um namoro de cerca de cinco anos. Embora tivesse clientes de ambos os sexos e de todas as idades, a maior parte era composta por mulheres, segundo informou a funcionária.

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