Bairros

Consumo per capita de água cai 10%

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O volume médio de água gasto por cada usuário em Bauru apresentou uma redução de aproximadamente 10% nos últimos quatro anos. O consumo médio per capita, que era de 212 litros por mês no ano 2000, caiu para 190 litros mensais este ano. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) atribui essa diminuição aos resultados positivos de insistentes campanhas de conscientização contra o desperdício.

Segundo os ambientalistas ouvidos pela reportagem, o desperdício doméstico é uma das maiores preocupações mundiais quando o assunto é a água potável. Calcula-se que entre 20% e 50% de toda a água fornecida a um imóvel esteja sendo usada indevidamente.

Um dos erros mais cometidos nesse sentido é o hábito que a maioria das donas de casa tem de lavar garagens, calçadas e quintais usando o jato de água para empurrar a sujeira. Em apenas 15 minutos, uma mangueira com fluxo mediano gasta cerca de 225 litros de água.

Recomenda-se que a limpeza destas superfícies seja feita com vassouras. E se a lavagem for indispensável, deve-se utilizar um balde. “Ao invés de usar a água de beber, você pode muito bem aproveitar a água usada na lavagem e enxágüe das roupas ou na lavagem das verduras”, sugere o biólogo Ivan Alexandre de Marche, secretário executivo do Instituto Ambiental Vidágua.

Outra fonte importante do desperdício doméstico são as torneiras. Se cada um dos 315 mil habitantes de Bauru escovar os dentes com a torneira aberta uma vez por dia, em um minuto serão gastos 4,7 milhões de litros de água. Considerando-se que o custo de tratamento de cada metro cúbico de água é R$ 1,45, serão gastos aproximadamente R$ 7 mil - isso em apenas um minuto.

Além de escovar os dentes (coisa que a maioria dos habitantes faz três a quatro vezes por dia), as pessoas abrem suas torneiras para lavar as mãos, para lavar verduras, frutas, roupas, louças e tantas outras coisas no dia-a-dia.

Ter um comportamento econômico significa fechar a torneira ao ensaboar mãos, roupas e louças. Reduzir o fluxo da água ao lavar frutas e verduras. E ao invés de deixar toda essa água escorrer pelo ralo, pode-se usar um balde para retê-la e reaproveitar o líquido que tem sabão para lavar o chão e o líquido das verduras para aguar as plantas, e assim por diante.

Segundo Marche, a tecnologia já permite fazer algumas adaptações que facilitam o reaproveitamento da água. “Algumas escolas da região captam a água da chuva que escoa pelas calhas para lavar o chão. Também é possível desviar a água que cai no ralo do chuveiro para a caixa de descarga ou para lavar o chão”, salienta.

O vereador de ambientalista Rodrigo Agostinho destaca que falar em desperdício é ainda mais importante nesta época do ano, quando a estiagem dura semanas. “A poeira aumenta e as pessoas lavam mais as calçadas. Só que o nível dos rios está baixando e o correto seria economizar água”, afirma.

Ele lembra que metade da cidade utiliza água extraída de poços artesianos. Essa água leva milhares de anos para ser reposta pela natureza. “Estamos causando um rebaixamento nos lençóis freáticos e isso é bastante sério, pois o nível do aquífero pode baixar e tornar inviável o abastecimento no futuro”, adverte.

Para Marche, todos têm sua parcela de culpa - o poder público que investe menos do que seria necessário e a população, que usa com descaso e desperdício.

“Até há pouquíssimos anos, a gente aprendia na escola que a água era um bem inesgotável, infinito. Por isso, muitas pessoas trazem no subconsciente que não tem problema gastar água à vontade. Só que hoje nós sabemos que a água pode acabar sim e que as previsões nesse sentido não são nada otimistas. Então, é preciso economizar e isso vale para todo mundo”, alerta o biólogo.

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