Dos 2,7 bilhões de litros de água tratados mensalmente pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) em Bauru, cerca de 700 milhões de litros (26,23% do total) se perdem no sistema. Os vazamentos na rede são os principais responsáveis por esse prejuízo, que ultrapassa R$ 1 milhão por mês. Em média, a empresa registra 30 vazamentos por dia na área urbana.
O envelhecimento das tubulações é um dos principais responsáveis pelos rompimentos, como já foi mostrado pelo JC nos Bairros. Outra parte dos vazamentos ocorre pela acomodação do solo, pelo peso dos veículos sobre a rede e até por vandalismo.
O fato é que todo o sistema está enterrado e muitos destes vazamentos passam despercebidos por longo período. É aí que a água se perde. Uma água cujo tratamento custa R$ 1,45 para cada metro cúbico (1.000 litros).
Visando reduzir o índice de perdas, o DAE vem tomando algumas providências nos últimos anos. As informações são da assessoria de imprensa, já que a presidente da autarquia, Nilcéia de Fátima Paes Lourenço, preferiu não comentar o assunto.
Segundo a assessoria, uma das medidas adotadas pelo DAE foi fazer reformas na Estação de Tratamento de Água (ETA). Com poucos recursos, porém, a obra é lenta e está sendo executada em etapas.
Até agora, foi recuperado o sistema de comportas e foi adequado o bombeamento da água bruta. Isso eliminou uma diferença antiga que havia entre o volume de água bombeada e a capacidade de recebimento da ETA, o que obrigava a devolver as sobras ao rio.
Outra alternativa encontrada pela autarquia para minimizar as perdas de água por vazamentos da rede foi otimizar os serviços de reparo. A assessoria comenta que, antigamente, as equipes responsáveis pelos reparos eram transportadas por um único caminhão.
Cada equipe saía da empresa com uma lista de serviços a fazer. O caminhão distribuía os funcionários em seus respectivos pontos de trabalho, depois voltava recolhendo todo mundo para levar aos outros locais.
“Mas se uma equipe demorasse mais que o previsto, todas as outras tinham que esperar pelo caminhão. O DAE investiu na compra de carros pequenos e hoje cada equipe sai da empresa com seu carro e sua lista de afazeres. Isso agilizou consideravelmente os serviços. Com isso, o vazamento é consertado mais rapidamente e a perda de água é menor”, comenta a assessoria.
A medida reduziu o prazo para a realização dos reparos a 24 horas a partir da solicitação. Mesmo assim, existe uma ordem para a execução dos serviços, que é determinada por prioridades, considerando-se a extensão do rompimento, o volume de água perdida e o local da ocorrência, ou seja, se a água oferece risco para o trânsito ou transtornos importantes à população.
A assessoria salienta, no entanto, que acabar com a perda de água tratada é uma missão totalmente impossível. “Mesmo o Japão, que é modelo em redes de abastecimento no mundo, tem uma perda de 8%”, ressalta.
No ano 2000, o volume de água perdida nas tubulações era estimado em 30% do total tratado. Atualmente, o sistema que controla essa perda é mais preciso e registra 26% de perdas. Mesmo com essa aparente redução, perder 700 milhões de litros de água pura todos os meses ao custo de R$ 1 milhão é um importante prejuízo aos cofres públicos. Um problema que precisa ser combatido ou, pelo menos, reduzido.