Os programas políticos veiculados nos horários de propaganda eleitoral gratuita nas emissoras de rádio são utilizados como um verdadeiro termômetro para a campanha à Prefeitura de Bauru. As produções de alguns candidatos preferem primeiro - por questões estratégicas - alfinetar seus adversários nas ondas do rádio e esperam pacientemente o efeito da provocação.
No decorrer da semana que se encerrou, pela primeira vez o programa de rádio do candidato Caio Coube (PSDB) se referiu a seu principal adversário, Tuga Angerami (PDT), como o ex-prefeito e ex-deputado federal “que pouco fez por Bauru”.
O mesmo aconteceu no programa da candidata Estela Almagro (PT). De maneira mais discreta porém firme, o locutor diz, sem citar nomes, que a candidatura majoritária petista “já incomoda muita gente”.
As referências, no entanto, não foram levadas aos programas no horário eleitoral gratuito da TV. Provavelmente, porque o impacto da notícia é muito maior na tela da televisão do que nas ondas do rádio.
A professora Roseane Andrelo, da disciplina de jornalismo radiofônico da Universidade do Sagrado Coração (USC), conta que desconhece pesquisas sobre o sucesso ou não da propaganda política no rádio. Porém, ela afirma que, ao analisar algumas características do veículo, é possível avaliar que, quando seus recursos são usados adequadamente, tem tudo para atingir a audiência.
“O rádio tem características que o aproxima do ouvinte. Uma delas é a própria oralidade. O rádio fala e as pessoas apenas precisam ouvir para receber sua mensagem. Isso é significativo se pensarmos que o hábito de leitura ainda é restrito no País”, comenta.
Ela acrescenta ainda que o rádio conta com a mobilidade. “É possível ouvi-lo no carro, nas caminhadas ou mesmo fazendo outra atividade. Esse fato garante um bom índice de audiência. O ouvinte não precisa ficar parado ou dedicando atenção exclusiva ao veículo para receber sua mensagem. Posso estar trabalhando ou comendo e também ouvindo o rádio”, observa.
A professora diz que, mesmo não contando com o aparato da imagem, o rádio tem recursos que, se bem utilizados, permitem que o próprio ouvinte crie sua imagem. “É o que chamamos de “diálogo mental” entre quem faz e quem ouve rádio.”
A professora tem acompanhado os programas políticos radiofônicos. “Em alguns deles foram usados vários fundos musicais, efeitos sonoros, trechos de entrevista e voz de locutores com experiência no meio”, analisa. Para Roseane, o que prevalece nos programas eleitorais radiofônicos são a valorização da imagem dos candidatos e algumas idéias vagas do que pretendem fazer. “Talvez, por falta de tempo, não há a descrição dos planos de governo.”
Poder de envolvimento
As avaliações de Roseane são reforçadas pela professora da disciplina de jornalismo radiofônico da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Laura Cimino. “O rádio tem como uma de suas principais características o poder de envolver as pessoas em profundidade. Esse é um dos pontos que distingue o rádio de qualquer outro veículo”, analisa.
Laura observa que cabe a cada candidato dosar a utilização do rádio durante a campanha eleitoral. “Ele tem que saber dosar o uso do veículo de acordo com seu perfil. Há figuras que brilham no rádio. É um veículo que pode alavancar uma propaganda política, um agente político, como também pode denegrir. O rádio tem essas potencialidades.”
Na análise dela, o rádio propicia um diálogo mais solto e informal com o ouvinte. “É um veículo que está muito próximo das pessoas.”