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Getúlio e Bauru


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Lula está seguindo a receita de Getúlio Vargas para lançar as bases de uma forte organização política de governo. Tem os trabalhadores, com a CUT, e agora as forças sócio-econômicas emergentes, com a Fiesp. Os banqueiros, estes estão acomodados com a política de juros altos. Está tudo dominado. Só falta a imprensa. Essa fórmula nacional de desenvolvimento, inspirada no “bonapartismo civil”, recebeu o nome genérico de populismo. Tenta estabelecer uma hegemonia burguesa e passa ao trabalhador a impressão de que ele é quem está no poder. Getúlio tentou legitimar essa pseudo aliança de classes. Trabalho e capital irmanados. Getúlio, em 1932, sentiu o poder do rádio marcado pela Rádio Record que empolgou a população de São Paulo com os comentários de César Ladeira e os discursos de Ibrahim Nobre. Os paulistas foram às armas.

Instalado o Estado Novo, a partir de 1937 Getúlio já controlava a distribuição de prefixos de rádio aos seus colaboradores políticos como forma de estabelecer “mecanismos de controle social, destinados a manter as expectativas sociais dentro dos limites compatíveis com o sistema como um todo” (Goldfeder). Obediente a essas condicionantes político-ideológicas é que nasceu o rádio em Bauru, por iniciativa do imigrante italiano João Simonetti. Versátil, teve fábrica de móveis, usina de pasteurização, cinema falado. Percebeu que o momento era da comunicação sonora. Em 1934, reuniu os amigos e decidiu montar uma rádio. Comprou os equipamentos e os instalou na própria residência. Só então descobriu que era preciso uma licença legal que autorizasse o funcionamento. O poder concedente era (e continua sendo) o Governo Federal. O italiano deu um jeito de se aproximar do ditador com a mediação dos diretores da Estrada de Ferro Noroeste. Getúlio fica sabendo das intenções de Bauru e sente no pedido de Simonetti o gancho para começar a se reaproximar do povo de São Paulo e de suas lideranças. Foi assim que nasceu a Bauru Rádio Clube, PRG-8.

A primeira visita de Getúlio a São Paulo depois da instalação do Estado Novo começou por Bauru, no dia 20 de julho de 1938. O ditador veio com a mulher, filha, chefe da Casa Militar, ministro da Educação e interventores de três Estados, inclusive Adhemar de Barros, de São Paulo, com a muher dona Leonor. Getúlio visitaria Bauru mais duas vezes. Em novembro de 1947, como senador, jantou na sede da PRG-8, lá na Bela Vista onde está hoje a TV Tem. Solidarizou-se com a candidatura de Simonetti à Prefeitura de Bauru, pelo PTB. Ganhou Octávio Pinheiro Brisolla.

Em 1950, Getúlio volta a Bauru como candidato à presidência da República. Revê Simonetti, fala à multidão anunciando a reprise da candidatura do seu amigo de Bauru à Prefeitura. Joanin perde para Nuno de Assis, mas ganha uma freqüência de Onda Tropical para a G-8, além de mais dois prefixos: Dois Córregos, e Anápolis, em Goiás. Já naquela época surgia um novo meio de comunicação: a televisão. Simonetti sai a campo para conseguir também a sua televisão. Getúlio morre em 1954, mas o empreendedor continua na luta para concretizar seu projeto. Conhece a receita. Chega-se a Juscelino (PSD), eleito presidente em 1955, e consegue a concessão da Rádio Terra Branca enquanto espera a TV. Em 1958, recebe um telegrama de Victor Nunes Leal, chefe da Casa Civil de JK comunicando a assinatura do decreto de concessão de um canal de Televisão para Bauru, a primeira do Interior da América Latina, a pedido de Joanin. Getúlio deixou escola. Assim continuam funcionando os grupos de poder. (O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista)

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