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Falta de cerimônia


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Impressiona a falta de cerimônia com que o governo federal privilegia os seus. Sempre se soube que os atuais inquilinos do Palácio do Planalto, por origem, formação e prática, nunca foram adeptos convictos dos princípios republicanos. Mas não se poderia supor que chegassem a tanto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre um vôo e outro, resolveu blindar, por meio de medida provisória, o presidente do Banco Central, que teria, segundo o noticiário, ludibriado o fisco.

Também não lhe constrangeu usar o rolo compressor para fazer aprovar dispositivo maroto que deu à prefeita Marta Suplicy (PT) um fôlego extra, para maquiar as contas municipais arruinadas e adiar o inevitável estouro da bomba. Agradecidos, os credores da Prefeitura paulistana oram pela longevidade do presidente Lula. Ao permitir que a prefeitura de São Paulo adiasse em 27 dias o pagamento da parcela mensal de sua dívida com o governo federal, da ordem de R$ 100 milhões, o presidente Lula agiu como um empregador que, para amenizar os problemas de caixa de sua empresa, resolvesse não pagar o salário de seus funcionários por um mês.

Resta saber se tal atitude eleitoreira não abriu uma janela perigosa, capaz de comprometer os princípios estabelecidos na Lei de Responsabilidade Fiscal. Que pretendesse ajudar sua companheira de partido, vá lá. Mas que, ao menos, se dignasse a avisar os demais prefeitos de que tal benefício estaria igualmente à sua disposição. Qual o quê! Não fosse a imprensa - essa mesmo que o PT quer “fiscalizar” por meio de uma de suas muitas sucursais - a denunciar a esperteza, apenas a prefeita paulistana, candidata à reeleição, seria contemplada pelo adiamento, criado, aliás, para tirá-la momentaneamente do sufoco.

Fatos como esses - aliados a práticas discricionárias, que levam o governo federal a apenas liberar verbas para emendas aprovadas por parlamentares da base aliada - nos dão a exata dimensão de que como o governo Lula e o PT encaram a coisa pública. Para uns e outros, é tudo coisa nossa - deles, no caso. (O autor, Walter Feldman, é médico e deputado federal por São Paulo)

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