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O trabalho é uma fonte de saúde


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Um estudo sobre o coração, realizado pelo dr. Ary L. Goldberger, professor de medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, demonstrou que há uma relação direta entre a variação dos batimentos cardíacos e o estado de saúde das pessoas. Ou seja, o eletrocardiograma registrou a freqüência destes batimentos, que vai além do “tum-tá” constante ouvido por um estetoscópio, verificando variações existentes. Este tipo de variação, em estado de relaxamento, é natural e importante, haja vista ser a evidência de uma boa saúde. As pessoas com um batimento de poucas variações são aquelas que se encontram doentes, nos mais variados graus.

O estudioso norte-americano associou cada batimento cardíaco a uma nota musical para exemplificar. Com o auxílio de um equipamento apropriado de reprodução sonora, foi revelada a diferença entre saúde e doença das pessoas que se submeteram ao eletrocardiograma. O registro da população saudável era percebido por uma melodia recheada de várias e alternadas notas musicais, que soavam de forma aleatória e alegre. Por outro lado, nos casos de pesquisados doentes, os sons eram monótonos, revelando maior repetição de determinadas notas musicais, implicando, inclusive, em aumento desta monotonia, proporcionalmente à gravidade da doença.

Portanto, ao refletir sobre a monotonia e sua decorrente acomodação, amplia-se a possibilidade de se pensar acerca do eixo atividade-passividade, revelando, então, algo importante a ser considerado no cotidiano da vida: a relação entre ação e saúde. A atividade humana é a medida equilibrada do exercício de se viver. As ações empreendidas são necessárias para que a vida se processe, natural e harmoniosamente. É fato comum ouvir que ser ativo é sinal de saúde. Embora isso seja comentado pela comunidade em geral, não existe o devido entendimento e a conseqüente prática a respeito. O que se percebe é o oposto. Acomodar-se tem sido um comportamento utilizado em larga escala. Um exemplo disto é o que mostrou a pesquisa realizada entre os anos de 1996 e 1997 pelo IBGE, regiões Nordeste e Sudeste, indicando que apenas quarenta por cento da faixa etária compreendida entre os dez e dezenove anos praticava exercícios. As demais faixas não passavam de 22%.

Crer na passividade, ou ficar apenas de “papo para o ar” como algo a se conquistar algum dia demonstra ser um equívoco. No entanto, é um desejo comum em várias pessoas, associando o permanecer sem trabalho com qualidade de vida ou bem-estar. As aposentadorias, apesar de muito justas do ponto de vista do amparo financeiro, são vislumbradas como um fim em si mesmas, levando pessoas que foram bastante ativas e criativas por longo tempo, a puxar o seu freio de mão, radicalizando, e impondo no lugar a passividade. Mesmo entre aqueles de outras idades, sejam crianças, jovens ou adultos, percebe-se uma constante vontade de permanecer o mais acomodado possível. Nota-se que este conceito já faz parte do modelo de educação existente.

É pela ação que o ser humano exercita o seu desenvolvimento, ultrapassando obstáculos e estágios evolutivos. Qualquer tipo de trabalho é sobretudo uma necessidade para que se mantenha a boa saúde. Conscientizar-se sobre esta condição tipicamente humana, além de dar novo sentido a atividade cotidiana, abre novas e promissoras possibilidades de saúde, desenvolvimento, mudanças, resultados, qualidade de vida, entre outros.

Se o coração é capaz de provar que a atividade demonstra bons estados de saúde, é pela razão que se confirma a necessidade de mudança de conceitos, tal como o de querer a ação e não o contrário: a monotonia e a passividade. Trabalhe sempre e seja feliz.

O autor, Armando Correa de Siqueira Neto, é psicólogo, consultor, conferencista e escritor

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