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Caso de vandalismo se repete no horto

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje, alunos de ensino fundamental que irão participar de atividade de educação ambiental agendada no Horto Florestal de Bauru presenciarão uma cena desoladora. O quiosque da unidade, utilizado para recepcionar os visitantes, foi reduzido a cinzas após um incêndio na tarde de anteontem. O ato, infelizmente, não é isolado.

Na semana passada, o mesmo quiosque foi alvo de vândalos, que o depredaram a ponto de comprometer sua estrutura. Sexta-feira, funcionários do horto concluíram a reforma da instalação, que mal pôde ser utilizada: três dias depois o serviço se perdeu com o incêndio.

“É com muita tristeza que assistimos a uma cena dessa. Desanima”, sintetiza Eliana Maria Rangel de Almeida Angerami, engenheira agrônoma do Horto Florestal de Bauru.

Os prejuízos vão além dos R$ 4.000,00 estimados como necessários para a construção de um novo quiosque. “A ação dessa minoria comprometeu o bem-estar que poderia ser gerado para toda uma comunidade”, diz Angerami.

Não há previsão para a reconstrução da obra, bem como para a reinstalação de tanques e torneiras de banheiros que igualmente foram alvos de vandalismo e serviam para atender os visitantes do Horto Florestal.

Em alguns sanitários, funcionários são constantemente deslocados para retirar pinhas colocadas por vândalos no encanamento ou limpar sujeiras, como pichações, deixadas por pessoas descomprometidas com a preservação do patrimônio público.

As ocorrências são tantas que a chefia da unidade, subordinada ao Instituto Florestal do Estado de São Paulo, não consegue contabilizar os prejuízos com a depredação. Para minimizá-la, a solução foi criar uma área de recreação aberta à comunidade, com pista de cooper, quiosques e brinquedos, na parte interna do parque e restringir o restante da área aos funcionários e participantes de passeios de educação ambiental previamente agendados.

O problema é que a restrição sintetiza-se a um mata-burro, já que a guarita há tempos não é ocupada por vigias. “O único vigia está afastado por licença médica e não há previsão de novos concursos para ocupar a vaga”, diz José Arimatéia Rabelo Machado, chefe interino da seção da Estação Experimental de Bauru, popularmente conhecida como Horto Florestal.

Os concursos, pelas contas de funcionários da unidade, deveriam prever a contratação de sete vigias. Essa seria a quantidade mínima suficiente para zelar 24 horas ininterruptas, todos os dias da semana, pela área de 43,09 hectares que compõe o horto, o correspondente a 43 quarteirões.

Nessa área são realizadas plantio de mudas, pesquisas, atividades administrativas e projetos de educação ambiental, além de atividades de lazer e recreação promovidas pela própria comunidade, que tem a chance de conhecer árvores centenárias, como o jatobá de 120 anos localizado ao lado do quiosque incendiado e que só se salvou pela ação rápida dos funcionários.

“As pessoas precisam compreender que não é porque o horto florestal é um bem público que se pode fazer o que quer. Estamos fazendo a nossa parte para despertar esse sentido público, mas esbarramos na ação dos vândalos”, reclama Paulo Henrique dos Santos, técnico de apoio à pesquisa e monitor de educação ambiental.

A chefia do horto entende que uma das formas de instigar o zelo pelo patrimônio público é abrir o local para a comunidade. “Quanto mais movimento tivermos, menor chance os vândalos terão para agir. Não queremos restringir o acesso da população”, afirma Machado.

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