Bairros

Comoção marca entrega de animais

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

A recolha dos animais com leishmaniose promovida pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) vem registrando momentos de comoção por parte das famílias que entregam os cães para eutanásia. Ontem à tarde, a reportagem do JC acompanhou de perto o trabalho dos funcionários da prefeitura e constatou o sentimento de tristeza que toma conta das pessoas durante a despedida.

A dona de casa Valéria Custódio, moradora do Parque Jaraguá, teve a confirmação de que seu cão estava doente ontem pela manhã e, a princípio, se negou a entregá-lo para que fosse sacrificado. Horas depois, porém, entrou em contato com o CCZ e pediu para que ele fosse recolhido. “O coração fica apertado, mas a consciência acaba falando mais alto”, comenta.

Foi a própria Valéria quem levou o animal do quintal de sua casa até o caminhão de recolha da prefeitura. O cão entrou em um dos compartimentos do veículo sem esboçar reação, enquanto era observado pelos filhos da dona de casa, visivelmente emocionados. “Vou tentar explicar a eles que não havia outra opção”, destaca.

Os filhos do comerciante Roberto Medeiros não estavam presentes quando o caminhão do CCZ chegou para buscar seus dois cães com leishmaniose, mas ele sabe que eles terão dificuldades para entender a situação.

Por conta disso, ele prevê problemas familiares. “Estou entregando os dois animais com leishmaniose, mas depois que souberem da notícia serão os meus filhos que ficarão doentes”, projeta.

Medeiros culpa o acúmulo de lixo em uma casa vizinha ao seu estabelecimento, localizado no Alto Alegre, pelos casos de leishmaniose registrados em animais do bairro. “Os cães estão sendo sacrificados por causa dos seres humanos”, critica.

O mosquito palha, transmissor da leishmaniose, se prolifera em materiais em decomposição, como os que infestam um terreno que fica ao lado da casa de Valéria. “Eu mantenho o meu quintal limpo, mas tenho que conviver com essa sujeira aqui perto”, reclama.

Cronograma

Dentro de uma semana, o CCZ espera concluir o trabalho de recolha dos cães cujos exames de leishmaniose deram positivo. Ontem, o caminhão do órgão, adquirido com verba federal, recolheu cerca de 15.

Os donos de animais podem se negar a entregar os cães doentes, mas nesse caso serão notificados pela prefeitura para que façam um segundo exame, particular. O resultado deve, então, ser encaminhado ao CCZ.

Quando o trabalho de recolha dos cães doentes estiver concluído, a prefeitura irá sacrificar aqueles que estiverem com suspeita de leishmaniose e forem entregues espontaneamente por seus donos para eutanásia.

Essa medida será adotada porque, durante cerca de dois meses, a realização dos exames para confirmação da doença estará suspensa pela falta de kits para diagnóstico. O material não está sendo distribuído por problemas de registro de seu fabricante, a Bio-Manguinhos/Fiorocruz, junto ao Ministério da Agricultura e Produção Animal.

• Serviço

O telefone do CCZ para outras informações é (14) 3281-7034.

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Sintomas

Os principais sintomas da leishmaniose visceral em cães são emagrecimento, fraqueza, queda de pêlos, crescimento das unhas e febre regular, além de feridas no focinho, orelhas e patas.

Caso haja suspeita da doença, o proprietário do animal deve levá-lo a um veterinário ou, então, entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão da Secretaria Municipal da Saúde, para receber as orientações que precisará seguir.

Em humanos, a doença se manifesta através de febre prolongada, tosse seca e emagrecimento. Quem estiver com os sintomas deve se dirigir a uma unidade básica de saúde para ser examinado por um clínico geral.

Somente neste ano, 497 cães e 15 pessoas contraíram leishmaniose. Três humanos morreram.

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