Tribuna do Leitor

Olga - reflexão


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Resolvi assistir à bibliografia audiovisual de Olga Benário Prestes, exibida nos cinemas locais, embebido pela dúvida do que viria a encontrar. Os críticos especializados julgaram o filme pela ausência do adequado enfoque histórico, da perspectiva geral que cingia o mundo à época; já os leigos, num julgamento agregado por impressões pessoais e contaminado pelos closes da dramaturgia, encamparam a bandeira das lágrimas, da ternura, da candura projetada pelos personagens dessa rica história brasileira, alheios à brutalidade que suas condutas de revolucionários exigiam.

Leigo que sou, acometeu-me uma assombrosa comparação manifestada na dualidade emocionante projetada no filme e em relação à repulsa odiosa que enche meus olhos, oriundos da existência hodierna - somos induzidos a contrapor duas realidades distintas, uma situada no âmbito dos apaixonados e combativos revolucionários, outra, a dos passivos e indiferentes membros do proletariado. Antanho, flertava-se com um mundo perverso, bipolar, vigiado, censurado, ausente de liberdade, mas onde se buscava combater, alterar a realidade lúgubre, sonhar com a alvorada ígnea sem o visco do sangue derramado.

Hoje, em contrapartida, abaixa-se a fronte, não por polidez, num gesto cavalheiresco, mas de anuência sem discussão das políticas que vos são impostas pelo capitalismo global; vive-se num mundo globalizado, onde as fronteiras não passam de pontos geográficos grafados por imperialistas e fixadas nas apostilas dos títeres colegiais de vosso país; habita-se um mundo pseudoliberto, condicionados que sois ao consumo, marcas, preferências, status, limitado pelas convenções sociais, por ideologias utópicas, por vós mesmos, pela vossa descrença quanto à tua capacidade de modificar o ambiente que vive.

Algumas vezes a reflexão vem acompanhada de nuvens escuras, impregnadas de maus sentimentos, austeridade e impotência do ser humano ao chocar-se com sentimentos mais fortes; outras vezes, a reflexão atira fluídos transparentes extraídos da castidade das flores, da solidariedade e companheirismo humano – a reflexão, a introspecção representa, em suas formas mais singelas, o temperamento maniqueísta do ser humano homem, dotado de razão para pensar e agir, ausente de razão para agir sem pensar!

Fosseis sonhadores e, mais que isso, vos dedicassem integralmente aos vossos sonhos, sendo leais aos teus anseios, buscando primar pela urbanidade, pela eficiência, pela crença num mundo melhor, quem sabe seria descerrada a janela fugaz para a eternidade, logrando deixar uma atmosfera melhor para aqueles que nos sucedem! Conforme o legado deixado por Olga Benário Prestes, pintado de forma fúnebre ao final da exibição, “lutei pelo justo, pelo bom e por um mundo melhor”!

Luciano Miguel Chacon - RG 32.689.639-9

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