O líder do PT na Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, defendeu ontem em Bauru o poder de investigação do Ministério Público (MP). O Supremo Tribunal Federal (STF) já iniciou a votação sobre o assunto. Dos 11 ministros, três votaram a favor do MP e dois contra. Pedido de vista de um dos ministros suspendeu o processo de votação.
“O Ministério Público é uma instituição basilar para a manutenção da democracia. O poder do narcotráfico e os crimes financeiros têm recebido um trabalho essencial por parte do MP”, elogia. O parlamentar lembra que o próprio Supremo Tribunal Federal está dividido sobre o assunto, bastante polêmico.
“Até o momento, são dois votos contra o poder de investigação e três favoráveis. Esses votos favoráveis, por coincidência ou não, foram dados por ministros já indicados na era do presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, observa.
Na opinião dele, nenhuma instituição deve ter o poder absoluto. “E o Ministério Público não o tem. O que muitos reclamam e, muitas vezes com razão, é que o MP, ainda na fase das investigações de um caso, vaza informações para a imprensa sobre aquilo que ainda não foi concluído e nem foi dado o direito de defesa da pessoa envolvida”, pondera.
“De um lado, sou favorável ao poder de investigação do Ministério Público, mas, como para qualquer outra instituição, deve ser considerado o direito de defesa e ser observada a cautela para proteger a honra de cada um”, diz.
Eleições municipais
O deputado federal está convencido de que o PT vai se dar bem nas eleições municipais de outubro. “É possível que o noticiário nacional se concentre nas capitais. A Marta Suplicy em pesquisa do Datafolha está quatro pontos percentuais à frente do José Serra e na pesquisa Ibope, ela está quatro pontos atrás, ou seja, eles estão tecnicamente empatados”, avalia.
Chinaglia acredita que a atual prefeita de São Paulo vai disputar o segundo turno das eleições. “É uma eleição que ainda está por definir. E acho que a Marta tem grandes chances. Falo de São Paulo porque se o PT ganhar na Capital paulista o noticiário será diferente em relação ao partido”, opina.
Sobre o desempenho da candidata a prefeita Estela Almagro (PT) - que na pesquisa Ibope/TVTEM despontou em terceiro lugar, com 9% das intenções de voto -, o líder do PT na Câmara dos Deputados avalia que o levantamento é uma “fotografia do momento”.
“O filme ainda não acabou. O que mais é interessante na análise de uma pesquisa é a tendência da curva. E, até onde sei, a Estela está em curva ascendente. Não sei qual o percentual apurado do segundo colocado, mas se confirmada sua queda, numa eleição de dois turnos a nossa candidata poderá alcançar o segundo turno”, analisa.
Crescimento
Chinaglia está entusiasmado com as perspectivas de crescimento do País. “O ano de 2004 está ganho. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deverá ser de pelo menos 4%. Creio que temos que aproveitar este final de ano para começar a pensar 2005”, observa.
Ele acha que o grande problema do Brasil é a dívida externa, o que impede, por parte do governo, aplicações em investimentos.
“Em 2004 foram R$ 12 bilhões e para 2005 será um pouco menos, desconsiderando emendas. O grande esforço está concentrado nas negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que determinados investimentos não sejam considerados gastos porque isso altera o cálculo do superávit primário”, explica.
Segundo o deputado, foi numa negociação desse porte que se permitiu a liberação de R$ 3 bilhões para obras de saneamento básico. “Esse valor é quase cinco vezes mais do que foi aplicado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.”