Os jornais que quiserem evoluir precisarão, cada vez mais, voltar suas atenções para os fatos que são de interesse do leitor. A afirmação foi feita pelo jornalista Marcelo Rech, diretor de redação do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), durante palestra ministrada ontem para os participantes do 1º Seminário da Associação Paulista de Jornais (APJ).
Para Rech, que também é diretor editorial dos seis jornais da Rede Brasil Sul (RBS), o leitor deve interferir constantemente na elaboração das edições dos jornais, indicando as matérias que gostaria de ver estampadas nos dias seguintes. “Essa interação é muito importante. No nosso caso, recebemos freqüentemente sugestões de pauta que são passadas por eles”, comenta.
O jornalista destaca, ainda, que os veículos de comunicação devem incentivar o bom relacionamento com o leitor e cita que os jornais do grupo RBS têm por hábito fazer, inclusive, uma pesquisa informal entre seus assinantes para saber os temas que mais chamaram a atenção durante a semana.
Ele também argumenta que a mídia regional está mais próxima dos leitores e, por isso, deve se preocupar em atender suas expectativas. “Dessa forma, ela tem a missão de selecionar os assuntos que são do interesse da comunidade”, declara.
Durante a palestra, ele lembrou que valorizar a cultura regional é fator primordial. “O nosso papel é destacar os fatos locais. Se nós não o fizermos, ninguém vai fazer”, argumenta.
Desenvolvimento
Rech analisa que a mídia regional é importante não só para a auto-estima da comunidade, mas também para o seu desenvolvimento econômico. “Nesse sentido, cada vez mais há uma qualidade avançando para que a imprensa regional seja tão boa quanto qualquer jornal do Brasil”, diz.
Ele também defende a independência editorial dos jornais. “Fora disso, não há salvação. Muitas vezes, é preciso contrariar as pessoas para continuar firme com seus valores de qualidade, credibilidade e ética. Isso é parte fundamental para o desenvolvimento da imprensa regional”, destaca.
O diretor de redação do Zero Hora acredita que seminários como o que foi organizado pela APJ contribuem para que os asuntos que ele abordou na palestra estejam sempre na pauta de discussões dos veículos de comunicação. “A troca de experiências entre os participantes é crucial para que se possa avançar e medir os pontos que podem ser aprimorados. Essa congregação formada pela APJ é um avanço de qualidade e preocupação editorial”, analisa.
Para o gerente de produtos editorias do JC e coordenador do Núcleo Editorial da APJ, João Jabbour, a palestra de Rech trouxe importantes reflexões. “O Marcelo conseguiu mexer com todos os presentes e o mais interessante é que esse todo é formado por gente das redações, departamentos comerciais, marketing, diretoria, circulação e parte industrial”, lista.
Jabbour projeta diversos encontros a partir do que foi proposto por Rech. “A palestra acarretará, com certeza, reuniões em redações e na própria APJ”, diz.
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Imprensa regional
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve em Bauru para o encerramento do seminário organizado pela Associação Paulista dos Jornais (APJ). Para o governador, a imprensa regional desempenha importante papel junto às comunidades do Estado.
“Acho o encontro importante por várias razões. Primeiro pela qualidade desses jornais em todo o Estado. Esses jornais têm a qualidade dos grandes jornais brasileiros, em termos de editorial, jornalismo, parte gráfica”, comentou.
Alckmin destaca o papel dos jornais regionais de suprir o noticiário de cada cidade. “A imprensa regional assume importância ainda maior porque, no mundo globalizado, você sabe on-line o que está acontecendo na Chechênia, mas às vezes não sabe o que está acontecendo na sua cidade, no seu bairro, na sua região. E esse papel é da imprensa regional”.
Em sua avaliação, o regionalismo da imprensa fomenta a discussão de desenvolvimento de acordo com cada vocação. “A imprensa regional também estimula valores, a participação da sociedade, a discussão de projetos regionais, o desenvolvimento. O povo é sábio. Um jornal forte em Bauru não é forte em Presidente Prudente e vice-versa. A população, então, quer saber da sua região, o que é muito positivo”, completa.
Nélson Gonçalves