Há 25 anos o Brasil ocupava a 9.ª posição dentre as economias do mundo. O PIB brasileiro só perdia em importância para os países que hoje formam o chamado G8, as principais potências mundiais. No espaço de apenas uma geração, fomos perdendo posições, ultrapassados por países bem menores, como Holanda, Coréia e México, até nos situarmos como 15.ª economia no ranking mundial. Esta semana, em duas oportunidades, dirigindo-se aos operários e dirigentes da fábrica de tratores Caterpillar, em Piracicaba, e na comemoração do aniversário da revista Carta Capital, o presidente Lula falou de sua crença que o Brasil pode voltar a se aproximar do seleto grupo dos mais desenvolvidos. Entusiasmado com os números recentes que mostram a retomada do desenvolvimento, o presidente disse que, aumentando um pouco mais o ritmo da produção, o Brasil se aproximará, em poucos anos, dos seis ou sete primeiros colocados. Mesmo com algum desconto, é importante que o presidente continue exercendo a sua liderança para transmitir aos empresários a certeza que o “espírito do desenvolvimento” vai acompanhá-lo durante todo o mandato.
É esse “estado de espírito” que está prestes a romper-se diante da ameaça do Copom de elevar a taxa básica de juros, a pretexto de conter as expectativas de alta da inflação. Estabelecer metas inflacionárias excessivamente exigentes e pretender atendê-las, custe o que custar, é uma política suicida, principalmente em se tratando de um Banco Central que se especializou em perder boas oportunidades de baixar os juros no passado recente. E que num passado não tão remoto foi o agente principal da sustentação da desastrada “âncora cambial” que paralisou o setor exportador e congelou o crescimento brasileiro. É inegável que o abandono do comércio exterior atrasou nosso desenvolvimento nos últimos 20 anos, enquanto concorrentes como a China, Coréia, México e Taiwan ampliaram suas exportações e foram nos deixando para trás no “ranking” econômico.
O que se deve exigir do Banco Central é que ele ajuste a política monetária para que o país possa crescer de forma robusta com uma taxa de inflação parecida com a dos seus competidores no mercado internacional. Ultimamente ele vem tentando convencer a sociedade que foi a sua “correta política monetária” que produziu o desenvolvimento. O certo é que o crescimento acontece a despeito do BC: que papel ele desempenhou, se a sua política fez desaparecer o crédito, estimulou uma perigosa concentração bancária e discrimina contra os bancos menores? Que esforço ele fez para reduzir o “spread” interno, o maior do mundo, responsável pela redução do crédito privado a míseros 30% do PIB?
As causas do crescimento são outras. As principais são a crescente confiança do setor produtivo na palavra do presidente Lula e a segurança que vai cumprir os compromissos da “Carta aos Brasileiros”; e a correta política fiscal do ministro Palocci, protegida dos velhos delírios petistas. O novo desenvolvimento nasceu do sucesso do setor exportador, induzido pelo efeito câmbio após a desvalorização que atropelou o Banco Central, e da recuperação do crédito externo.
O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP e professor emérito da USP