Regional

Doces com toque de mãos calejadas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Elas já foram chamadas de sem-terra, ajudaram a erguer barracas, fizeram pães, pamonha e sabão caseiro até encontrar um caminho mais doce para ganhar dinheiro e ajudar na renda familiar. Hoje, as assentadas da antiga fazenda Reunidas em Promissão (120 quilômetros a noroeste de Bauru) produzem doces caseiros e caminham para a industrialização do trabalho.

Há seis anos adoçando a vida de muitas pessoas com doces de leite de vários tipos e de frutas, cinco mulheres, com a ajuda de várias entidades, estão levando em frente o sonho de colocar o produto nas grandes redes de supermercados e finalmente decolar as vendas. “Estamos cumprindo as exigências do SIF (Serviço de Inspeção Federal) e da Vigilância Sanitária para comercializar em grande escala.”

Uma das integrantes do grupo, Erenice Aquino Tesoni, explica que a fabricação de doce de leite exige a fiscalização do SIF e os de frutas, da Vigilância Sanitária. “Nós já temos o número do SIF, estamos fazendo algumas modificações na estrutura física do prédio, para atender as regras.”

Cooperativa

A idéia de trabalhar juntas surgiu três anos após a ocupação da então Fazenda Reunidas, por volta dos anos 90, conta Clarinda Ernestina dos Santos. “Éramos em 685 famílias. Os homens começaram a se reunir para fundar uma cooperativa e as mulheres participavam apenas como coadjuvante. Em 98 já estávamos fazendo doces caseiros.”

Acompanhando a evolução do grupo, as mulheres passaram a se reunir também com o objetivo de desenvolver algum trabalho que ajudasse na renda familiar. “Começamos a fazer sabão caseiro e éramos em 22 nesta época. Depois, passamos a fazer pamonha, mas a renda era muito pequena. Iniciamos a confecção de pães.”

Neste período, a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), órgão da Secretaria de Estado da Agricultura, ofereceu um curso de confecção de doces caseiros. “Nós fomos fazer o curso e começamos a desenvolver nossa própria receita. O doce de leite era o ideal, uma vez que todas as 685 famílias tinham uma vaca e o leite seria a matéria-prima mais fácil de ser adquirida.”

A dosagem de açúcar e o ponto certo do doce de leite custou algumas horas de labuta das cooperadas, em número de cinco, atualmente. “Experimentamos as misturas e fizemos o doce de leite com ameixa, coco e em barra. A novidade é o doce de leite com morango.”

Até então, as cooperadas trabalhavam na cozinha da igreja. “Antes, trabalhamos na cozinha da escola e na residência de algumas famílias que cediam o local para podermos fazer os doces.”

Uma parceria com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e a Prefeitura de Promissão resultou na construção de um prédio próprio, explica Erenice Tesoni.

Com o passar do tempo, das 22 assentadas que trabalhavam na confecção dos doces, ficaram apenas cinco, comenta Erenice Tesoni. “Tudo o que ganhamos investimos aqui. Algumas desistiram por isso. Hoje temos a fábrica de doces artesanais Benacha.”

A aquisição de uma máquina com capacidade para trabalhar com 100 litros de leite e produzir cerca de 150 potes de doce é apontada como outra conquista. “A máquina já está quitada.”

Produção

A produção mensal de doces em pasta atinge mil potes/mês. “Nossos principais clientes são de São Paulo e Ribeirão Preto. “A Loja da Reforma Agrária de São Paulo e uma doceria em Ribeirão Preto. Vendemos para os mercados de Promissão e região. Nosso doce em pasta é comercializado em potes de 275 gramas.”

A expansão dos negócios, acredita Tesoni, virá com a rotulagem do produto, pelo SIF. “Com a inspeção do SIF poderemos entrar nas grandes redes de supermercados.” Além dos doces, o grupo produz queijo, requeijão e manteiga.

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