A maioria dos candidatos a prefeito de Bauru continua com o mesmo apetite de sempre, mas agora o alvo da degustação não é mais um belo prato de bife acebolado ou uma lasanha ao sugo. O eleitor é, desde o início de julho, o que dá água na boca no dia-a-dia dos prefeitáveis.
Comer é um verbo que passou a ser conjugado em segundo e até mesmo no terceiro plano na escala de prioridades dos candidatos nessa maluca corrida eleitoral. Troca-se um desjejum colonial, regado a muitas fibras, sucos e laticínios, por uma conversa de dez minutos com trabalhadores na porta de uma fábrica.
O almoço com a família com o convidativo arroz, feijão, carnes e saladas virou um popular sanduíche de mortadela degustado com torresminho numa lanchonete da periferia, sob a observação de olhares curiosos e, se possível, com uma conversa tête-à-tête e com os eleitores.
O estômago da maioria dos candidatos a prefeito de Bauru pede socorro, mas pelo visto o alarde só será ouvido após 3 de outubro, dia em que eles vão recuperar o apetite normal. Alguns, após conhecido o resultado, vão perder a fome. E pelo menos dois deles vão ganhar um apetite de leão na busca do voto final do segundo turno, quando então a cidade vai conhecer seu novo dirigente a partir de 1 de janeiro de 2005.
A situação descrita acima não se enquadra no perfil do candidato a prefeito Tuga Angerami (PDT). Pelo menos é o que diz sua mulher, Shalimar Nogueira Angerami. A avaliação dos hábitos alimentares que ela faz do seu marido é simples. “O Tuga está comendo mais. Está com muito apetite. E faz questão de manter o almoço e a janta com a família”, garante.
Regado a muita salada, legumes e carnes brancas, o cardápio tuguista, segundo Shalimar, dispensa qualquer complemento vitamínico para suportar a dura jornada na busca dos votos. “Ele não precisa disso. O Tuga alimenta-se bem.” Mas o mesmo não pode dizer o candidato Sandro Fernandes (PSTU), que não faz questão de esconder que aderiu a um reforço à base de vitaminas para correr atrás do eleitorado.
“Já perdi seis quilos desde o início da campanha”, revela. Ao contrário de Tuga, o candidato do PSTU diz que perdeu o apetite e tem se alimentado mal na correria do dia-a-dia. “Saio de casa, muitas vezes, sem tomar café e só vou comer por volta das duas da tarde. E não é comida não. É lanche”, ressalta no exato momento em que seu estômago reclama algo mais salutar.
Ansiedade
Uma campanha eleitoral ao Executivo tem seus extremos. Enquanto Tuga mantém um apetite voraz e Fernandes perde seis quilos na corrida eleitoral, a candidata Maria Cristina Romão (PCO) descobriu na balança que ganhou uns quilinhos a mais desde o início da campanha, que por uma questão de elegância na relação entre o jornalista e a entrevistada não foi questionada.
“Fiquei muito ansiosa com a campanha e por isso tive alterações, como retenção de líquido, o que provocou um pouco de inchaço. Mas já está sob controle e estou voltando a normalidade”, diz. Ela conta que sua dieta é à base de muitos legumes, verduras e carne branca.
“Mas não dispenso uma suculenta picanha ao ponto”, revela. Mas não é a ansiedade que está fazendo com que o candidato Caio Coube (PSDB) coma mais doce nos poucos momentos em que fica em casa. “Eu optei pela glicose para reforçar as refeições. Tenho comido bastante doce, mas sem dispensar a carne, o arroz, o feijão. Sem dúvida, o desgaste do meu dia-a-dia é muito grande”, reconhece.
O tucano tem passado poucos momentos na sua residência. “Se estou em casa na hora do almoço, como com a TV ligada para assistir ao horário eleitoral gratuito.” À noite, devido aos compromissos até altas horas, Coube prefere leite e sanduíche para fechar o dia.
Mas ser protagonista dessa maluca corrida eleitoral também provoca perdas, afinal ninguém é de ferro. É o que está acontecendo com a candidata Estela Almagro (PT). Segundo seu marido, o vereador José Carlos Batata (PT), a petista já emagreceu cerca de oito quilos desde que colocou os pés nas ruas da cidade.
“Ela tem reforçado a alimentação com vitamina. Come mais carne branca do que vermelha e muito suco para criar resistência contra gripes e resfriados”, conta Batata.
"Bom pique"
A correria diária na busca desenfreada pelo voto alterou um pouco os hábitos alimentares do candidato Luiz Carlos Valle (PSB). É o que diz sua mulher, Ana Cristina Rodrigues Valle. “Ele está com bom pique. Tem comido muita carne. Mas a gente percebe que as refeições diminuíram. Às vezes ele fica até sem comer e quando sobra tempo para se sentar à mesa, fica intranqüilo”, observa Ana, que vê a situação com um pouco de receio.
“Isso não é bom para a saúde.” A mesma situação vivencia o prefeitável Clodoaldo Gazzetta (PV), que reconhece que tem se alimentado de maneira desregrada. “Como de tudo. Mesmo assim, a correria da campanha fez com que eu perdesse dois quilos”, calcula. O verde, porém, diz que faz questão de passar o final de semana com a família, condição negociada com o partido para que seu nome fosse colocado como candidato. “No dia-a-dia, procuro tomar o café da manhã com todo mundo de casa.”
Para enfrentar a “guerra” contra os adversários, o coronel da reserva Antonio Sérgio Marsola (PPS) inclui diariamente no seu cardápio muita aveia, leite e mel. “Me alimento muito bem. É lógico que os horários estão desregrados. Mas não deixo de comer meu prato de arroz, feijão, legumes, verduras e carnes”, enumera, usando um tom recheado de disciplina militar.