O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Ralph Ribeiro Júnior, concorda com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bauru e Região, Aloísio Costa, quanto à falta de investimentos públicos para o desenvolvimento da construção civil. Para Costa, os únicos focos de emprego nos últimos anos em obras públicas foram presídios e casas de detenção, como o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, o Centro de Ressocialização de Jaú e a futura penitenciária de Balbinos.
“Não há obras municipais. Elas nem entram nas nossas contas e previsões porque estão paradas, como as cinco Emeis (Escolas Municipais de Ensino Fundamental). É um mercado muito pequeno, sem investimentos”, aponta.
Ribeiro acrescenta que a construção de presídios denota “rasgos no tecido social”, enquanto obras como o novo aeroporto de Bauru estão praticamente paradas. “Essas são alavancas, vetores de crescimento que o poder público deveria eleger, mas que não vem acontecendo”, diz.
A opinião dos dois dirigentes sindicais é confirmada pela última Pesquisa Anual da Indústria da Construção divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o relatório, que traz números referentes ao período entre 1996 e 2002, a construção para entidades públicas perdeu participação no total das obras executadas. De 60% do total em 1996, o índice caiu para 52,4% em 2002.
A pesquisa aponta que o segmento da construção pesada teve redução no período. Enquanto em 1996 o setor respondia por 51,4% de todas as obras executadas, em 2002 passou para 42,8%. A queda exemplifica a redução nos investimentos em obras públicas, características do segmento.