Saúde

A química que você come

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Eles aparecem no rótulo da maioria dos alimentos. Conservantes, edulcorantes, estabilizantes e vários outros “antes” são substâncias químicas intencionalmente adicionadas aos alimentos para conservar, intensificar ou modificar suas propriedades. Fazer com que esses produtos durem por mais tempo e sejam

mais atraentes aos olhos e paladar humanos estão entre as principais funções dos chamados aditivos alimentares.

Ao contrário do que se pode imaginar, as técnicas de conservação dos alimentos são usadas há séculos. Estimase que a defumação seja uma das mais primitivas: percebeuse que o calor fazia a carne crua durar mais. Os processos de secagem e desidratação também são antigos: observou-se que os frutos murchavam quando expostos ao sol, mas que continuavam saborosos e sadios.

Salgar e desidratar carnes vermelhas e peixes foi outra técnica de conservação de alimentos descoberta num passado bem remoto. Era assim que os grandes navegadores e suas tripulações conseguiam sobreviver meses e meses em mar aberto nas históricas descobertas continentais. A salga é utilizada até hoje como conservante, como ocorre com o bacalhau e com a carne seca.

Outro processo bastante citado na história da civilização humana é a fermentação. Por meio dela, o homem conseguiu transformar a cevada em cerveja e a uva em vinho. A técnica mostrou-se uma alternativa perfeita para a conservação desses produtos perecíveis em bebidas de durabilidade muito maior.

E quando o açúcar foi descoberto, o ser humano conseguiu preservar as frutas de

época na forma de compotas, doces e geléias.

Hoje, os aditivos alimentares são considerados indispensáveis para a sobrevivência humana. A imensa maioria das pessoas não tem mais hortas

e criações no fundo do quintal e depende quase exclusivamente de produtos que

vêm de muito longe para se alimentar adequadamente.

Égraças aos aditivos que frutas e verduras podem ser encontradas frescas nos supermercadosmesmovários dias após a colheita. É graças a eles que é possível

abrir uma lata e comer uma feijoada preparada meses antes numa indústria distante. É graças a essas substâncias que muitos remédios amargos puderam

ganhar sabores mais aceitáveis ao paladar.

Mas como qualquer outra coisa, eles precisam ser usados com moderação. “Tudo na face da Terra pode ser veneno, dependendo da forma como é utilizado”, salienta o professor de química, Laurindo Cattache Júnior.

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