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Esperança roubada


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O episódio da escola da Nova Ossétia é mais um exemplo que se soma às tragédias cotidianas dos discípulos da estupidez humana. A parceria Rússia/Chechênia assume, com desonras e deméritos, um lugar de destaque no abjeto grupo dos que não querem e nem buscam resolver diferenças racionalmente.

É impressionante como ambas as partes, desses conflitos loucos, demonstram ser péssimos estrategistas e soldados: afirmam que seus ideais são nobres e seus alvos: governos tiranos ou terroristas selvagens; mas suas vítimas são, majoritariamente, civis inocentes.

Seria aceitável se os rebeldes ou oprimidos atacassem diretamente seus opressores. Apesar de nenhuma morte ser justificável, haveria um mínimo de coerência nesses atos. Mas o que dizer de agressões a crianças? Talvez seja o único caso em que a democracia, realmente, prevalece no mundo: na distribuição do caos e do desespero entre indefesos!

Os governantes se protegem de seus atos e políticas em “bunkers”. Usam de aparatos caros para garantir sua integridade, enquanto o cidadão comum fica a mercê de seus desafetos.

Os terroristas, por sua vez, seguem a lei do menor esforço, de resultado mais dramático: atacar quem não tem como se proteger. O que crianças têm a ver com essas lutas?

Por que insistem em tentar ferir seus opressores ameaçando e matando inocentes? Será que seus algozes se afetarão ou vão mudar de atitude, com isso? Ou vão usar disso como desculpa para justificar retaliações definitivas?

A história demonstra que os genocídios só são imputados aos derrotados... Mas também dá boas lições: certa vez, Gandhi foi procurado por um hindu, que havia matado um muçulmano, deixando seu filho órfão. O homem estava desnorteado e arrependido, sem saber como redimir seu crime. Serenamente, o “Mahatma” exortou-o a tomar o filho do morto como seu, e criá-lo na mesma fé do pai... Deveria ter-lhe dito para ir até sua casa e matar seu próprio filho como compensação?

Séculos de desenvolvimento da civilização e ainda é a Lei de Talião a que impera!

Páginas e páginas; versos e versos; e as maravilhosas pregações de todos os iluminados que caminharam entre nós, pregando o amor e a reconciliação entre os povos, em todas as religiões; e ainda é dando tiros para o alto, a esmo ou nos alvos errados, que arremedos de seres humanos tentam provar sua razão e fé. Qualquer que seja o pretexto, seu único “sucesso” está em distanciar, cada vez mais, o ser humano de Deus; e tornar o próximo, cada vez mais, distante...

Poderiam ser irmãos, na paz; mas preferem, apenas, ser irmãos de armas! Preferem morrer por suas causas a viver por elas!

Onde essa loucura, esse ódio e esse fanatismo podem levar o ser humano, que não seja ao abismo e ao caos? Querem matar-se uns aos outros por pedaços de terra e crenças, que o façam! Mas não tirem nem destruam a vida da única esperança que temos para um mundo melhor: as crianças!

Santuário, para elas!

O autor, Adilson Luiz Gonçalves, engenheiro, professor universitário e articulista

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