Será inaugurado em Bauru, no próximo dia 28, o 1.º Núcleo Regional da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). Trata-se do primeiro pólo descentralizado da ABJC no Brasil.
Estão entre os objetivos do núcleo promover ações e discussões sobre os desafios da divulgação da ciência pela imprensa; buscar a familiarização do pesquisador com os meios de comunicação e incentivar a pesquisa na região de Bauru.
“A cultura da ciência é diferente da cultura da imprensa. Um pesquisador demora anos para desenvolver um projeto e o jornalista tem de transformar isso tudo em cinco linhas. Na TV, às vezes são cinco segundos”, explica o jornalista Luís Victorelli, membro do conselho da ABJC e coordenador do núcleo regional.
Ele ressalta que as duas áreas - ciência e imprensa - são dependentes entre si. “Elas ainda vivem culturas distintas e uma precisa da outra. É inconcebível produzir um material que fique morto numa biblioteca. Por outro lado, o jornalista vive da notícia. E, como a ciência está no dia-a-dia das pessoas, é um produto necessário para o público”, argumenta.
Apesar das inúmeras dificuldades que o jornalista enfrenta para veicular assuntos científicos, Victorelli acredita que houve avanços. “Há investimentos por parte da imprensa para fazer uma boa divulgação”, diz.
Além disso, ele afirma que o pesquisador tem procurado adaptar sua linguagem durante entrevistas, evitando o excesso de termos técnicos, por exemplo. “Quanto mais difícil é a fala do cientista, mais difícil é a tradução do jornalista e muito pior será o produto final que o leitor consumirá”, explica.
“Mas ainda há ruídos e existem hiatos entre esses dois universos. Nossa idéia é aproximar mais esses lados”, acrescenta o coordenador do núcleo regional.
Bauru
De acordo com Victorelli, existem vários aspectos que contribuíram para que Bauru fosse escolhida como sede do primeiro núcleo regional da ABJC, que tem 27 anos de existência e congrega cerca de 600 jornalistas do Brasil que divulgam ciência.
Ele explica que a região de Bauru é um pólo gerador de ciência e cita instituições de excelência em determinadas áreas e com reconhecimento internacional. É o caso do Centrinho (Hospital de Anomalias Craniofaciais); do Instituto Lauro de Souza Lima, do Hospital Amaral Carvalho, de Jaú; da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da Universidade de São Paulo (USP), e da Faculdade de Medicina de Botucatu, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).
“Há, ainda, o câmpus da Unesp de Bauru, o de Assis, instituições privadas que investem em ciência como a Universidade de Marília (Unimar) e a Universidade do Sagrado Coração (USC). Não precisa muito para dizer que nossa região é um pólo de excelência”, argumenta Victorelli.
Outro aspecto relevante para a escolha de Bauru é a grande quantidade de jornalistas que atuam na divulgação da ciência. “A cidade e a região dispõem de massa crítica por parte dos jornalistas. A imprensa bauruense tem dado destaque a assuntos científicos. Um caderno de ciências hoje num jornal é um avanço porque os veículos geralmente colocam as notícias de ciência em segundo plano”, avalia.
A idéia é que o núcleo sediado em Bauru sirva de modelo para a criação de outros pólos descentralizados. “Bauru vai servir como experiência-piloto. Essa é a primeira regional da ABJC e o objetivo é proliferar outras pelo País”, destaca o coordenador.
No dia 28, a inauguração do núcleo regional será marcada por um evento - o 1.º Seminário Regional de Divulgação Científica em Bauru.
Na agenda do núcleo, já está marcada também uma mobilização regional para a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que será realizada de 18 a 24 de outubro, em Brasília.
Além disso, o núcleo participará do Ciclo Cinema e Ciência, que será promovido pela USP-Bauru ainda este ano. Em outubro, também será realizado o Congresso Brasileiro de Jornalismo Científico, em Salvador. “O núcleo está incentivando as pessoas a participar do congresso nacional e produzir textos e artigos”, reforça Victorelli.
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Seminário
O 1.º Seminário Regional de Divulgação Científica em Bauru será realizado nos dias 28 e 29 de setembro, no Teatro Véritas, da Universidade do Sagrado Coração (USC).
O evento marca o lançamento do primeiro núcleo regional da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC), que integra cidades como Bauru, Marília, Botucatu, Jaú e Assis.
No dia 28, às 19h, o tema abordado será “Jornalismo, Ciência e Sociedade”. O debate contará com a presença de Ildeu de Castro Moreira, diretor do Departamento de Difusão e Popularização da Ciência, do Ministério da Ciência e Tecnologia; do presidente da ABJC, José Roberto Ferreira; e do jornalista Manoel Carlos Chaparro, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo e professor da Universidade de São Paulo (USP).
No dia 29, o debate terá início às 19h30 e o assunto abordado será “Como a ciência é vista pelos meios de comunicação?”. O evento contará com a presença da jornalista Roseli Tardelli, presidente da AgenciaAids e ex-apresentadora de programas da TV Cultura.
Além disso, participarão representantes da imprensa bauruense como Osmar Chor, jornalista e editor regional da TVTem; João Jabbour, gerente de produtos editoriais do Jornal da Cidade; e Paulo Sérgio Simonetti, diretor da Rádio Comunicação 94 FM.
O evento é aberto a jornalistas, estudantes, pesquisadores e interessados. As inscrições serão abertas no dia 13 de setembro. (TS)
• Serviço
Outras informações sobre as inscrições para o seminário podem ser obtidas a partir do dia 13 de setembro pelo telefone (14) 3235-7176.