Será que a preocupação que alguns grupos politizados tem sobre os transgênicos não é um pouco exagerado? Se dermos crédito à história recente de outra “revolução” veremos que não, toda essa preocupação é útil para o nosso bem-estar.
Vejamos o que podemos aprender com o mal da vaca louca. A moderna “engenharia” revolucionou o mercado ao inventar a ração feita com carcaças, entre elas as de carneiros. E isso foi muito bom e representou enormes ganhos, tanto na alimentação do gado quanto na redução dos custos.
E a Europa prosperou, até que... A epidemia de encefalopatia espongiforme bovina (BSE) ou vaca louca começou. O primeiro caso foi detectado em 1986 no gado britânico. As vacas e bois foram contaminados depois de ingerir rações compostas por partes de carcaças de carneiros infectados por príons mutantes.
O mal da vaca louca atingiu seu pior momento em 1993. Eram mais de mil casos identificados por semana. E quem foi culpado? O governo britânico é quem foi acusado de ter negligenciado o problema, demorar muito para sacrificar o gado contaminado e não ter alertado a população.
O mal da vaca louca é uma doença degenerativa provocada pelo acúmulo de um príon no cérebro. O príon é uma pequena e resistente proteína que existe nos carneiros e no homem, mas sua função nesses organismos ainda não foi esclarecida. Essa proteína atinge o sistema nervoso central do gado adulto, é transmissível e progride lentamente. As células morrem, e o cérebro fica com aparência de esponja. O gado afetado apresenta perda de equilíbrio e enfurecimento. Por isso popularizou-se como “vaca louca”.
A doença pode ocorrer também em humanos e em ovinos. Nos seres humanos, os principais sintomas são mioclonia, contração muscular brusca e breve, e demência. A doença se desenvolve principalmente em pessoas com mais de 50 anos de idade. Não existe tratamento conhecido.
As vítimas teriam se contaminado por meio da ingestão de carne contaminada. Como a doença tem uma progressão lenta, levando até dez anos para a pessoa manifestar os sintomas, muitos acreditam que uma epidemia de vCJD ainda está por vir. Mas a ligação entre vCJD e consumo de carne contaminada não foi comprovada cientificamente.
Até o momento, Nenhum caso do mal da vaca louca foi detectado no Brasil. Mas o país enfrentou uma briga comercial com o Canadá, em 2001, quando o país chegou a vetar a entrada de carne bovina brasileira. A suspensão foi mais tarde resolvida.
Tudo isso nos mostra o quão grave é o problema da vaca louca e só porque o uso de carcaças para se fazer a ração não foi devidamente estudado. Contudo, já é o suficiente para nos fazer repensar o uso que estamos fazendo dos produtos transgênicos. Por mais que nos digam que esses produtos são inofensivos, não podemos esquecer que eram os mesmos pareceres dados anteriormente ao uso de carcaças. Cabe ao cidadão exigir de nossas autoridades maior rigor no controle e promover uma espera razoável para que se ponha no mercado de uma forma tão abrangente como já tem acontecido. (O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do)