A degradação do meio ambiente, em especial dos rios, foi o tema abordado ontem durante a realização do Grito dos Excluídos, movimento que promoveu uma caminhada da Igreja Maria Mãe do Redentor até o acampamento do grupo Terra Nossa, na região do Horto Florestal. Os manifestantes fizeram uma parada ao lado da ponte Ayrton Senna para cobrar mais agilidade na reforma da estrutura, interditada desde janeiro do ano passado.
O Grito dos Excluídos surgiu em 1994 e é realizado tradicionalmente no dia 7 de setembro por representantes de igrejas, sindicatos e movimentos populares de todo o País.
Um dos organizadores da manifestação em Bauru, padre João Baptista Aoki, afirma que o ato em frente à ponte Ayrton Senna teve como objetivo alertar as autoridades para a necessidade de sua reabertura. “Ela é muito importante, porque facilita a ligação entre as regiões do Núcleo Mary Dota e Distrito Industrial 1. A morosidade da obra está atrapalhando a população”, comenta.
Inaugurada em setembro de 2000, a ponte foi interditada no começo do ano passado depois que apresentou problemas estruturais. Desde então, a prefeitura está promovendo a reforma da passagem sobre o Rio Bauru, mas constantes interrupções vêm adiando o processo de recuperação. A Secretaria Municipal de Obras promete, porém, liberá-la para o tráfego até o final do ano.
Para pressionar o cumprimento do prazo, ou até mesmo antecipá-lo, o Grito dos Excluídos colheu assinaturas durante a caminhada. O documento será, posteriormente, entregue à prefeitura.
Sem-terra
A ponte Ayrton Senna também foi o ponto de encontro entre os integrantes do Grito dos Excluídos, que haviam saído do Jardim Redentor, e os sem-terra. Durante o ato, os manifestantes utilizaram máscaras cirúrgicas para protestar contra o mau cheiro e a poluição do Rio Bauru.
Logo após, continuaram o percurso até o acampamento do grupo Terra Nossa, formado em abril do ano passado. Faixas exaltando a importância da água, ar, fogo e terra foram exibidas na caminhada.
Para Aparecida Bertonha, que participou do evento, o Grito dos Excluídos acertou ao escolher o acampamento como ponto final da marcha. “Já que a Campanha da Fraternidade deste ano falou da água, nada melhor do que ir até um local onde a água que existe não é potável”, argumenta.
Um dos coordenadores do acampamento, Klinger Bueno, afirma que alertar para a importância de se preservar o meio ambiente é sempre importante. “Estamos acabando com os rios e as matas nativas. Precisamos da água, porque ela é um dos quatro elementos da vida”, destaca.
No acampamento, manifestantes e sem-terra almoçaram juntos. Em 2003, o Grito dos Excluídos foi realizado simultaneamente com o desfile de 7 de Setembro, mas em razão de divergências com os organizadores da parada cívica, o comando do movimento optou, este ano, por promover a caminhada.