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Cerimônia de hasteamento da bandeira atrai poucos alunos

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

Cerimônia obrigatória para os professores desde os tempos da ditadura, o hasteamento de bandeiras nas escolas continua sendo realizado anualmente no dia 7 de Setembro. Nas últimas duas décadas, porém, o evento cívico vem encontrando cada vez mais dificuldades para atrair a atenção dos alunos, mais preocupados em aproveitar o feriado.

A reportagem esteve ontem pela manhã na escola estadual Antonio Guedes de Azevedo, no Jardim Pagani, uma das poucas em Bauru a programar, além do hasteamento, outros eventos para marcar o dia 7 de Setembro, como uma apresentação teatral sobre a Independência. Dos 780 alunos, porém, apenas cerca de 30 estavam presentes.

O estudante Leonardo Felipe de Almeida Faustini acredita que esse quadro só irá mudar quando mais eventos extra-classe forem incentivados. “É preciso investir principalmente nas apresentações teatrais para que a Independência possa ser ensinada de um jeito mais dinâmico”, opina.

O aluno Guilherme Sturon concorda. “Falta incentivo para que os outros estudantes se interessem e esse tipo de apresentação teatral ajuda. O 7 de Setembro faz parte da cultura do País e merece destaque”, analisa.

Para a diretora da escola, Cristina Figueiredo Silva Real, é difícil convencer os alunos a sair de casa no feriado para comparecer à escola. “Eles têm dificuldade em entender a importância das datas cívicas, mas precisamos continuar incentivando a presença deles aqui. Cito como exemplo as Olimpíadas, que conseguiram despertar o interesse patriótico nos estudantes”, comenta.

Origem

A historiadora Lídia Possas, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, acredita que a falta de interesse pelo 7 de Setembro tem origem na própria Independência. “Quando ela foi proclamada, se tratou de um grande arranjo político entre Dom Pedro I e a Corte portuguesa. Ela não chegou, de fato, às bases de um País”, analisa.

Possas lembra que nem mesmo o período militar foi capaz de alterar essa situação. “Na ditadura, hastear a bandeira era uma obrigação, pois o objetivo era criar um espírito de patriotismo e nacionalidade de forma imposta. Quando ela acabou, porém, isso não permaneceu”, relata.

A historiadora defende formas menos rígidas para marcar a data. “Na Bahia, por exemplo, vi uma comemoração feita através de trios elétricos. É um exemplo de que não é necessário colocar a criança para marchar na rua, e sim dar expressão para outras formas de pensar e agir. É preciso pensar de forma plural para que as manifestações ganhem mais raízes”, argumenta.

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