Economia & Negócios

Segurança define ocupação de imóveis

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Ter mais de uma vaga na garagem, ampla área construída e boa localização já não são mais características primordiais na hora de escolher um imóvel, seja para comprar ou alugar. O quesito segurança assumiu a liderança na preferência de quem procura por uma casa ou apartamento para morar. A constatação é do Sindicato da Habitação (Secovi) e Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci) de Bauru.

De acordo com Fernando Pegorin, diretor do Secovi, a segurança é uma questão fundamental e uma das primeiras perguntas feitas pelos clientes no momento de escolher um imóvel. “Se o cliente encontra uma casa ótima, do jeito que ele queria, mas que está localizada ao lado de um terreno baldio por exemplo, ele abre mão e prefere procurar outra, mesmo se a casa estiver localizada no bairro de sua preferência”, observa.

Segundo Pegorin, atualmente os terrenos baldios são os principais vilões de imóveis colocados à venda ou para alugar. Se a casa tem na vizinhança apenas estabelecimentos comerciais, também perde posição no índice de preferência dos clientes.

“Os terrenos baldios facilitam a invasão do imóvel, assim como pode ocorrer numa vizinhança formada em sua maioria por comércio, já que após as 18h não há mais movimento. Esse tipo de imóvel tem uma dificuldade bem maior de giro no mercado. Alguns (com poucas características de segurança) chegam a ficar bem mais de seis meses esperando a venda ou locação. Por isso, tem aumentado muito a procura por condomínios residenciais fechados”, destaca Pegorin.

Nem sempre essa situação se reflete diretamente em desvalorização do imóvel. Mas conforme analisa o diretor do Secovi, somente o fato de o imóvel levar, em muitos casos, quase um ano para ser comercializado ou alugado já gera uma defasagem para o proprietário - que não vai subir o preço justamente por estar demorando para “desencalhar” o imóvel.

24 horas

No caso dos edifícios, quesitos como portaria 24 horas, cerca elétrica nos muros e a boa localização têm sido cada vez mais decisivos. O delegado regional do Creci, Roberto Lima, diz que a diferença na agilidade da venda ou locação entre um “imóvel seguro” e outro que não tenha essas características gira em torno de 40% - tanto para casas quanto apartamentos.

“A localização ainda influencia bastante, mas é cada vez maior o número de pessoas que preferem morar num imóvel mais seguro mesmo sendo longe do seu bairro preferido. No caso dos condomínios, estão entre as principais perguntas feitas pelo cliente se a portaria funciona 24 horas e se o prédio tem vigia noturno”, observa Lima.

A orientação tanto do diretor do Secovi quanto do delegado regional do Creci no caso de imóveis com poucos quesitos de segurança é para que o proprietário invista na reforma ou instalação de equipamentos para acelerar os negócios.

“Atitudes como aumentar a altura do muro, colocar grade nas janelas ou instalar sistema de alarme pode fazer a diferença e definir a conclusão de um negócio. Isso se aplica mais ainda aos imóveis disponíveis para locação, porque o inquilino não vai querer gastar dinheiro com essas coisas. Então, é um investimento que vale a pena”, afirma Pegorin.

Milton de Barros, proprietário de uma empresa que administra cerca de 50 condomínios residenciais em Bauru, afirma ser crescente a preocupação dos moradores com a segurança do prédio.

“A maioria dos prédios administrados pela empresa possuem portaria 24 horas, cerca elétrica e circuito interno de TV. Os moradores preferem pagar uma taxa de condomínio um pouco mais alta para poder investir na instalação de equipamentos de segurança”, ressalta.

Para os proprietários de apartamentos, fica a orientação do especialista. “A oferta de imóveis em Bauru é muito grande. Quanto mais itens de segurança houver, mais rápido será o giro (do imóvel).”

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