Tribuna do Leitor

Futuro comprometido


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O governo federal ensaia enviar ao Congresso Nacional projeto de lei que, se aprovado, possibilitará o loteamento de 45% das reservas florestais existentes na Amazônia! Ficamos pasmados com a notícia. Estaríamos sonhando ou é uma realidade?

Já hoje constatamos que o fenômeno El Niño aparece em épocas anormais, causando turbulências, furacões, inundações e alterações climáticas no mundo todo. As águas marítimas estão mais aquecidas, causando maremotos. O aquecimento global que favorece a elevação das marés, que causa nevascas, que causa o prolongamento do período das secas, é impulsionado também pelas grandes queimadas.

Se já estamos presenciando esses nefastos acontecimentos causados pelas devastações das florestas antes existentes, pelas poluições de nossos rios, lagos e lagoas, pelas poluições do ar, da atmosfera, oriundos dos gases tóxicos expelidos pelas chaminés das indústrias, das fumaças dos veículos automotores, do dióxido de carbono, do clorofluor etc., ainda vamos contribuir gigantescamente para piorar a situação. É o que se pretende...

Com o “loteamento” da Amazônia - a maior reserva de floresta tropical do mundo - naturalmente a sua devastação será acelerada, as queimadas se multiplicarão. O desflorestamento acarretará a aparição de solos imprestáveis para a agricultura e mesmo pastagens. A desertificação aparecerá. De início pequena, depois maior. As nascentes e os riachos desaparecerão, os grandes rios ficarão com menos água e se tornarão assoreados. Os ventos úmidos, que levam chuvas ao Pará, Maranhão e ao Piauí, perderão sua força, os solos dessas regiões ficarão mais secos: o Saara, num futuro próximo, poderá ter um irmão brasileiro.

Estão querendo, na ponta, acender o longo rastilho. Acendido, não só o Brasil sairá chamuscado, como o planeta todo sofrerá sérias conseqüências.

José Perea Martins - RG 3.571.804 - e-mail: jose.perea@uol.com.br

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