Tribuna do Leitor

Um exemplo a ser seguido


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O grande arquiteto do universo sói nos agraciar, de tempos em tempos, com figuras humanas ímpares, como que para nos mostrar em que trilhos devemos percorrer em nossa efêmera passagem por este planeta azul. Assim é que temos, dentre tantos iluminados a serem seguidos como modelos de exemplar vida humana: Jesus Cristo, Buda, Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Chico Xavier, etc. Seres humanos cuja tônica foi primacialmente praticar o mandamento bíblico: “Amai-vos uns aos outros...”

Bauru quiçá tem um enviado de Deus à terra, com a missão precípua de: “fazer o bem e não olhar a quem...” Ele está entre nós, vivo, atuante. Despercebido e envolto numa capa de simplicidade. Do alto de seus 92 anos de vida, continua espargindo o bem por onde passa. Aposentou-se compulsoriamente aos 70 anos. Mas sua existência não estagnou, não feneceu. Não se amargurou, nem maldisse os anos a mais que o Criador adrede lhe tem acrescentado. Porque sua missão terrena continua profícua.

Sem alarde, sem publicidade, um ser humano que por muitos e muitos anos providenciou e preparou o alimento para pessoas humildes na Vila São Paulo. Ainda recentemente, apesar de sua idade avançada, desloca-se para residências, levando palavras de sabedoria àqueles que solicitam sua presença. Assim é que uma jovem estudante de medicina, firmemente disposta a se matar, mudou de idéia, simplesmente ouvindo conselhos dessa criatura macróbia, abençoada por Deus. Em outro caso recente, um jovem ficou recluso voluntariamente em seu quarto de dormir. Abandonara o emprego. Desmanchara o noivado. Agredira as pessoas com quem convivia. Nosso iluminado então realizou uma catarse, com palavras serenas e profundas, e um toque de mágica todos os óbices existentes desanuviaram. O jovem saiu de seu casulo para a vida. Reconquistou o antigo emprego. Reatou o noivado. Casou-se e constituiu família.

Tive a honra e o privilégio de trabalhar com essa excelsa figura humana. Eu, como chefe de seção de administração, na extinta Divisão Regional de Saúde de Bauru. Ele, como meu superior hierárquico, ocupando o cargo de diretor administrativo. Protótipo do autêntico chefe democrático, suas atitudes profissionais eram sempre guiadas por um elevado espírito de mansidão, justiça e simplicidade. Nunca foi picado pelos insetos do cabotinismo, da arrogância, do despotismo. Coisas que muitos dos ocupantes de cargo de mando administrativo sentem irrefreável e incomensurável prazer em destilar em cima de seus comandados.

Como diretor administrativo ele ocupava “ex-officio” o epicentro de um terremoto de paixões e vaidades humanas, onde se digladiavam interesses essencialmente egoístas. Mas ele sempre tinha a palavra certa para a hora certa, amainando os ânimos por vezes inflamados. Somando sempre, dividindo nunca. Atuando como agente catalisador de conflitos humanos. Contraposto à verbosidade vazia dos tartufos, assumindo magistralmente atos salomônicos e discretos, próprios dos grandes homens. Podemos, portanto, asseverar categoricamente: ele literalmente vive o altruísmo pregado no cristianismo. Como se chama esse feérico ser humano? Paulo Guimarães. Um exemplo de vida a ser seguido.

Professor Gilberto Sidney Vieira - RG 3.476.358)

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