Política

Café com Política: Estela quer fim só para cargo político

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 8 min

A candidata a prefeita pelo PT, Estela Almagro, defendeu na série de entrevistas do Café com Política a redução de cargos de confiança na administração municipal, mas não indicou a amplitude das modificações que colocaria em prática se vencer as eleições deste ano.

Estela Almagro critica a proposta de “choque de gestão” (mencionada pelo tucano Caio Coube), diz que a máquina pública tem que ser encarada de forma diferente da privada, mas ainda não indicou de que forma, como e onde vai tratar a questão. A série Café com Política completará a divulgação do debate com os quatro últimos candidatos a prefeito de terça a sexta-feira da próxima semana, por ordem alfabética.

Nesta sexta-feira, a série Café com Política veicula a entrevista de Clodoaldo Gazzetta (PV) pela TV Câmara, no canal 10 da Net, às 21h. Leia a seguir os principais pontos da entrevista com Estela Almagro:

Jornal da Cidade - Qual seu arco de alianças e por que esta composição é capaz de comandar a cidade?

Estela Almagro - Nós estamos em uma aliança histórica na cidade de Bauru aglutinando em torno do Partidos dos Trabalhadores outros quatro partidos políticos, quais sejam o PT, PTB, PSL, PTN e PHS, na denominação “Amor por Bauru”.

JC - No período pré-eleitoral, a maioria dos partidos rejeitou as legendas em torno do ex-prefeito Izzo Filho. Como a senhora vê essa rejeição?

Estela - O ex-prefeito é uma discussão à parte. Os cinco partidos que compunham a aliança em torno do Antonio Carlos Barbosa, que seria o candidato dessas legendas, todos foram extremamente disputados por todos os candidatos que estão disputando essas eleições. E essas legendas dividiram-se vindo duas formar aliança com o PSDB e três vindo somar forças conosco. Não reputo qualquer vínculo com qualquer outra liderança do passado. Hoje eu reputo esses partidos, assim como o PTB que muitos reputaram ser da administração, como o nosso grupo da aliança “Amor por Bauru” que vai eleger Estela prefeita.

JC - O ministro José Dirceu (PT) expôs a dificuldade de trocar o índice de correção da dívida municipal do IGPD-I pelo IPCA. Como a senhora vê essa questão?

Estela - O movimento pela troca do índice é extremamente legítimo e nós vamos batalhar por essa troca. Porque existe um movimento hoje composto por diversos municípios que quer essa troca. A resistência de partida do governo federal de fazer essa troca me parece natural, porque esses índices foram implantados e acordados pelos prefeitos na federalização da dívida no governo Fernando Henrique Cardoso. E o governo atual, portanto, não é responsável pela fixação dessas regras. Há que se demonstrar ao governo a necessidade de troca desse índice que é extremamente injusto na correção da dívida.

JC - A senhora defende a redução de cargos. Qual a amplitude disso?

Estela - Eu defendo a redução de cargos de confiança. Acho que as medidas de saneamento não passam por medidas de choque de gestão que passem por um enxugamento como se pensasse a administração pública como uma empresa. O salário pago para essas dezenas de cargos de confiança que essa administração tem hoje, diga-se muito apetitosos, pode implicar em uma economia significativa. A administração está com um número tão grande de pessoas em torno do Executivo com esses salários, imaginando-se semideuses dentro do poder. Temos que fazer redução. Não significa que o prefeito não tenha que ter cargos de confiança para fazer a sua política.

JC - Mas, na prática, a composição de cargos pressupõe acomodar sua aliança. Como conciliar redução com seu arco de alianças?

Estela - O prefeito tem que ser austero. A democracia, infelizmente, impõe determinados vícios que precisam ser corrigidos. O sistema de democracia representativa impõe vícios porque abre caminhos para o fisiologismo. E isso às vezes acontece com dose comedida e em outras em dose exageradas, como é o caso da administração de Bauru, que acabou sendo vítima de um setor do Legislativo.

JC - O PSTU e o PCO estão na eleição se colocando à margem esquerda do PT e criticam que o governo Lula traiu a classe trabalhadora.

Estela - Acho engraçado e não queria nem estar perdendo tempo na entrevista para falar do PSTU e do PCO. Na verdade, essas duas agremiações, onde estão pessoas que eu respeito particularmente, cometem alguns erros politicamente na medida em que vêm depois do processo, há dez anos, que culminou com a expulsão desses dois setores do seio do Partido dos Trabalhadores. Quando o PT amadureceu, abriu sua mente e começou a evoluir na sua plataforma para poder ser hoje o partido grande que é e chegar à Presidência da República, andou para frente. E essas pessoas foram convidadas a sair e penso que essa mágoa ainda não foi esquecida por lideranças desses dois partidos. Eu lamento. Eu não vejo nos partidos que marcam críticas só aos governos federal e estadual propostas para resolver os problemas da cidade.

JC - Como agilizar a cobrança de devedores na execução fiscal?

Estela - É claro que o processo judicial tem a sua morosidade, mas você não vê por parte das administrações uma política mais responsiva em relação a esses devedores nem na procura de conciliação desses débitos, não com isenção. O que se vê é o que já se viu em outras épocas, que é presentear esses grandes devedores que, juntos, somam mais de R$ 100 milhões. Há devedores que sozinhos devem mais de R$ 10 milhões. O pequeno e o médio têm cumprido com sua cota de responsabilidade. Precisamos implementar uma política mais austera, cuidar muito bem dos prazos judicialmente desses processos. Mas a prefeitura tem que implementar também uma forma de negociar com esses devedores. O parcelamento dos pequenos devedores é necessário.

JC - A senhora quer estender o plano de saúde à Emdurb e a conta do plano privado já é elevada, tem a conta da previdência sem solução, onde tem que elevar a cobrança do servidor de 8% para 11%. Como encarar isso?

Estela - A questão do servidor tem que ser encarada e discutida com muito carinho e seriedade. A grade salarial precisa ser revista, mas é claro que tem que ter por base a capacidade da administração de operar essa mudança. A qualidade do serviço prestado pelo servidor passa e muito pela qualidade dos instrumentos que a administração é capaz de dar ao servidor. E aí entra com muita propriedade a discussão do Serviço de Previdência dos Municipiários, onde uma grande parte desse débito a prefeitura ainda mantém. Passa pelo plano de saúde que hoje é oferecido à toda a categoria, mas que tem sido alvo de muita crítica por parte do conjunto dos servidores e a gente vê uma postura distante da administração de fazer essa tratativa. Nós estamos defendendo o que não vai implicar em nenhuma desvalorização do trabalho que hoje é feita pelo sindicato e a associação dos servidores. Estamos defendendo a criação do Centro de Valorização dos Servidores, onde em Jacareí se destina 1% da arrecadação para discutir e implementar políticas para os servidores.

JC - Por que a senhora é contra municipalizar o ensino?

Estela - Sou contra a forma como o governo Fernando Henrique instituiu o fundo de educação. Para desenvolver um setor tão importante, o Fundef veio de maneira anti-democrática, criando para o município o constrangimento de ter parte de seu recurso retido na medida em que o repasse passou a ser per capita por aluno municipalizado. E criou distorções. Bauru não tem o ensino municipalizado, mas o aluno. Quem faz o ensino é o profissional da educação que precisa ser ouvido e é contra a municipalização. Precisamos discutir quais as saídas que nós podemos operar para não perder recursos no município.

JC - Coleta de lixo será ou não cobrada do cidadão?

Estela - Nas avaliações que nós temos feito de serviços públicos municipais está a coleta. A população reconhece muito o trabalho desses profissionais que precisam ser valorizados. Os mecanismos de se ouvir a administração sobre todos os segmentos da administração pública precisam ser implementados, com a criação, por exemplo, de uma ouvidoria no município para que você possa ter canais mais diretos com a população para saber como está sendo operado cada serviço e fazer o gerenciamento.

JC - A atual gestão disse que já foi reformada a usina de asfalto, mas a senhora fala em recuperar?

Estela - A usina é suficiente para a demanda de asfalto. Nós temos um estudo que dá conta de que a usina de asfalto reestruturada pode produzir de quatro a dez quadras de pavimentação todos os dias. E diga-se, adequando-se o nosso solo, na medida em que este é arenoso. Eu fico chocada cada vez que eu ouço o candidato da administração dizer que a usina já está recuperada. Se foi investido recursos para fazer com esses equipamentos sejam modernos, se foram realmente recuperados, isso só torna ainda mais grave a situação da administração. Porque é inconcebível que a administração passe seis anos com um equipamento sem ser utilizado como deveria. Então precisa dizer para a população porque as vias não estão recuperadas.

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