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PAM gera reclamações entre usuários

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Implantado recentemente pela administração municipal nas unidades descentralizadas de saúde com a proposta de minimizar as conseqüências do déficit de pediatras, o Pronto-Atendimento Médico (PAM) tem gerado reclamações por parte dos usuários da rede básica de saúde.

Nesse sistema, o mesmo médico fica responsável em atender, por hora, duas crianças com consulta agendada e três que deram entrada na unidade pelo serviço de urgência. O PAM funciona atualmente nas unidades básicas de saúde do Parque Bela Vista, Vila Ipiranga e Mary Dota. Aparentemente, o sistema não tem conseguido resolver as precárias condições de atendimento das unidades.

Anteontem pela manhã, por exemplo, a disponibilidade de apenas um médico pediatra para atender toda a demanda do PS e do posto de saúde da unidade do Parque Bela Vista gerou muita espera. Mães consultadas pelo JC afirmaram estar aguardando, em média, cerca de duas horas para que os filhos passassem pelo atendimento ambulatorial e de urgência.

“Estamos apenas com um médico para atender a todos. Na semana passada minha filha estava ruim, quase desmaiando, e teve de esperar o único médico, que estava atendendo aqui no posto de saúde e lá no Pronto-Socorro. Onde já se viu isso?”, questiona a vendedora Bráulia de Jesus Tobias, mãe de Juliane Tobias Saqueto, de 1 ano e 4 meses.

Na avaliação dela, a demora no atendimento se acentuou desde o mês passado, com a implantação do PAM. Opinião semelhante compartilha a usuária Sandra Gomes da Silva, 22 anos. “Eu cheguei aqui hoje e estava uma briga horrível dos pais porque não tinha pediatra para atender”, diz.

A mãe de Jonatan Richard Farias Gomes, de 7 meses, Graziele Geroldo Farias, também desaprovou o sistema na unidade básica de saúde do Mary Dota. “Se chega mais de três crianças no PS, eles já não atendem naquela hora”, conta.

A faxineira Jovina Carvalho, 29 anos, conta que já teve de se deslocar até o PS Central por não conseguir que o filho fosse atendido na pediatria da unidade da Vila Ipiranga.

“O pessoal vai no PS, às vezes não consegue consulta, e vai embora. Muita gente fica sem atendimento porque são só três pessoas por hora. “Se a criança está muito ruim, como vai fazer? Como vai esperar?”, questiona.

Desolada, Joice de Oliveira Pires, 22 anos, retornou ontem para casa com a filha Luana de Oliveira Pires, 9 meses, depois que foi informada pela atendente da unidade da Vila Ipiranga que só existiria vaga na pediatria do PS a partir das 14h. A jovem chegou ao local às 12h com a filha, que estaria com febre.

Na unidade do Bela Vista, durante o tempo em que a reportagem por lá permaneceu presenciou funcionários orientando algumas mães que aguardavam na fila de atendimento de urgência a se deslocarem com seus filhos para o PS Central, em uma ambulância disponibilizada pela unidade.

A alternativa gerou reclamações, como a da dona de casa Sirlene Tomas, 28 anos. “Minha filha está com vômito e não está comendo nada. Falaram para a gente descer para o PS Central, só que a gente chega lá e existe muita demora”, afirma.

Para as donas de casa Leandra Leite da Silva, 30 anos, e Shirley de Souza Pires, 35 anos, a situação da unidade do Parque Bela Vista não mudou e buscar atendimento médico na rede pública de saúde continua um exercício de paciência. “Aqui sempre demora assim. Mas fazer o quê? Tem de esperar, a gente é pobre e depende disso”, conclui Leandra.

Procurados pela reportagem, funcionários da unidade do Parque Bela Vista não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Extra-oficialmente, um deles informou que um dos pediatras que atende na unidade estaria em férias e por isso apenas um profissional estaria dando conta do atendimento ambulatorial e de urgência.

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Déficit

O déficit de pediatras na rede municipal de saúde de Bauru é de pelo menos dez profissionais. A prefeitura abriu concurso para contratar mais pediatras, mas o número de candidatos inscritos foi insuficiente.

O secretário municipal de Saúde, João Sérgio Carneiro, admite que a pediatria é hoje uma especialidade problemática no município, porque a demanda de atendimento é alta e a oferta de médicos para atuar na rede pública municipal é baixa. A cidade conta atualmente com 34 pediatras.

O secretário não soube informar há quanto tempo a unidade do Bela Vista estaria atendendo com apenas um profissional. Segundo ele, normalmente dois médicos dessa especialidade atuariam no local, cuja demanda é maior que a verificada nas outras unidades descentralizadas.

Apesar do déficit de pediatras, Carneiro nega que os casos de urgência estejam aguardando muito tempo para serem atendidos. “As urgências, em nenhum pronto-socorro, estão tendo demora”, defende. “Os usuários procuram a urgência com um problema ambulatorial e é isso que causa, às vezes, o tumulto”, justifica.

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