Política

Política partidária apimenta debate

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A questão ideológica e político-partidária foi o diferencial do debate realizado ontem entre os candidatos a prefeito pelo Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru. Com uma pauta bem elaborada pelos organizadores, os candidatos tiveram a oportunidade de expor o que pensam sobre alianças políticas em períodos eleitorais e o famoso troca-troca de partido.

Dos oito prefeitáveis, sete compareceram ao evento. Maria Cristina Romão (PCO) foi a única ausência. O debate começou por volta das 9h30 e durou mais de duas horas. Dividido em cinco blocos, em um deles a organização fez uma pergunta pontual endereçada a todos os candidatos.

Eles foram questionados sobre o que pensam sobre fidelidade partidária e alianças que envolvem as mais diferentes legendas. O clímax das respostas foi detectado na fala do candidato Luiz Carlos Valle (PSB).

Ao abordar o assunto, Valle fez referências a três candidatos, avaliando partidos coligados e seus respectivos vices. Iniciou por Estela Almagro (PT). Se utilizando de um tom de discurso bastante irônico, lembrou que seu vice, Marcos Saraiva, é filiado ao PSL, complementando que a legenda é controlada pelo ex-prefeito Antonio Izzo Filho.

Sem qualquer constrangimento pelo fato de estar sentado ao lado de Tuga Angerami (PDT), citou que o vice do pedetista é Renato Purini (PMDB), que segundo ele apoiou a administração do prefeito Nilson Costa. Não deixou de observar que o partido tem como líder no Estado o ex-governador Orestes Quércia.

Dando seqüência às alfinetadas, a próxima “vítima” de Valle foi Caio Coube (PSDB). O socialista lembrou que o PP está coligado ao PSDB na corrida eleitoral. Não deixou de citar quem comanda a legenda em São Paulo, o ex-governador Paulo Maluf.

Diante da citação nominal dos três candidatos, a organização do debate concedeu um minuto a cada um deles para suas manifestações sobre as referências. Estela foi a primeira a responder.

“Essa insinuação (de que seu vice é filiado a um partido ligado a Izzo Filho) não é a primeira vez que é feita. Nós fazemos alianças eleitorais com partidos e não com pessoas. E o nosso programa de governo envolve cinco partidos, pelos quais tenho muito orgulho. A coligação Amor por Bauru tem a plataforma, as bandeiras defendidas pelo Partido dos Trabalhadores”, justificou.

Já Tuga argumentou que sempre respeitou posição de vereadores em relação aos prefeitos. O pedetista diz entender a posição de Purini, que em certos momentos apoiou a administração Nilson Costa e em outros compôs a bancada da oposição.

“Essa é a atuação parlamentar. Absolutamente não fiz alianças por ele ter estado contra ou a favor do Nilson. A aliança é por Bauru. Não me interessa o governo Nilson Costa”, argumentou.

O candidato Caio Coube respondeu a Valle de forma mais técnica. “Faz parte do cenário da política, como ele mesmo observou, as coligações partidárias. Se alguns partidos se coligam com outros é porque têm bons projetos e acabam se associando.”

O tucano lembrou ainda que foi candidato a deputado federal nas eleições de 2002 por entender que tem identidade com o PSDB. “Muita gente chega e fala que tive uma votação expressiva, de 73 mil votos, e que por outro partido estaria eleito. Mas não quero me eleger por qualquer partido. Não é um projeto pessoal, mas sim um projeto partidário. Me identifico com as propostas e a ideologia da social democracia”, argumentou.

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Objetivo esperado foi alcançado

Na avaliação do pastor Edson Valentim, membro do Conselho de Pastores Evangélicos de Bauru, o debate com os candidatos a prefeito atingiu o objetivo esperado.

“Os candidatos vieram com a disposição de expor programas e idéias. Não houve atritos. A condução ética de cada um deles foi muito boa. Em termos de conteúdo, para nós serviu como parâmetro de avaliação. Vamos colocar isso no papel e divulgar para todas as igrejas”, diz.

Valentim explica que as questões que envolveram política partidária foram elaboradas com o intuito de que cada prefeitável expusesse o que pensa sobre o assunto.

“Para entender o que cada um vai fazer, temos que entender o que está dentro dele. Há um princípio bíblico que diz: ‘A boca fala do que o coração está cheio’. A ideologia que eles expuseram é o que vai mover as ações governamentais. É importante falar sobre ideologia porque isso é o que vai de fato nortear as decisões de governo”, afirma.

Sobre a questão da fidelidade partidária, bastante enfatizada no debate, Valentim observa que o eleitorado precisa saber quem são os candidatos que serão firmes e perseverantes. “É preciso saber quem hoje, amanhã e daqui a dez anos vai estar no mesmo caminho sem muitas mudanças.”

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