Os Jogos Olímpicos de Atenas encerraram-se há duas semanas e com certeza atiçaram nos torcedores a vontade de assistir ao vivo ao maior espetáculo do esporte mundial. Na cerimônia de encerramento, os representantes de Pequim, sede dos jogos de 2008, já deram uma prévia do show que prometem para a próxima Olimpíada. Assim como o comitê de organização já está com a mão na massa, o espectador que deseja assistir a tudo dos estádios chineses já pode começar o planejamento e perceber que esse sonho pode não estar tão distante.
No entanto, antes de 2008, há 2006 e a Copa do Mundo da Alemanha. De acordo com o agente de turismo Paulo Querino, que é delegado regional da Associação das Agências de Viagens Independentes do Interior do Estado de São Paulo (Aviesp), a excursão para o campeonato de futebol normalmente fica mais cara do que para os jogos olímpicos. “Os ingressos são mais caros e a Copa é mais longa”, explica.
Querino recomenda que os futuros viajantes iniciem o planejamento desde já. “Temos dois anos para a Copa e quatro até a Olimpíada. É tempo suficiente para guardar dinheiro e programar bem a viagem”, diz. A preparação é feita com base nos valores e pacotes oferecidos na atualidade, porém os custos estão sujeitos às oscilações econômicas brasileiras, mundiais e do país-sede do evento.
“O ideal é fazer um planejamento dos custos da viagem e hospedagem e ir depositando um valor mensalmente, para que no final do período de investimento a pessoa possa pagar a viagem ou pelo menos parte dela. O restante pode ser financiado”, orienta Querino, que sugere a reserva de U$ 100,00 mensais – cerca de R$ 300,00.
Em um artigo para o boletim do Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Negócios (Cefipe), o economista Marcos Silvestre estima que uma “versão econômica” da viagem à China saia por U$ 5 mil por pessoa. Ele indica que o turista deve reservar cerca de U$ 100,00 por dia para pagar hospedagem, alimentação e transporte.
“Ainda falta uma parte bem salgada dessa viagem olímpica: os ingressos. Participar ao vivo da abertura dos jogos, nem pensar. Em Atenas, o ingresso mais barato custava a ‘brincadeira’ de U$ 850,00”, afirma Silvestre em seu artigo.
Os gastos com ingressos vão depender muito do interesse do turista. Há esportes mais caros de assistir, como iatismo, e outros mais em conta, como vôlei, basquete e as modalidades de ginástica olímpica. Em Atenas, a entrada nos ginásios custava U$ 50 nas eliminatórias e U$ 300 nas finais.
“Recomendo o seguinte: reserve U$ 700 para assistir a 14 jogos simples e mais U$ 600 para assistir a duas finais, o que já está de bom tamanho. A conta dos ingressos vai ficar em U$ 1.300”, ressalta Silvestre.
No caso da Copa, os ingressos para a primeira fase são mais baratos. A Fifa já divulgou que a venda deve ser iniciada a partir de fevereiro de 2005 e os preços vão variar entre 35 e 600 euros.
Para o economista, o melhor investimento para o dinheiro reservado para a viagem é um fundo cambial, já que ao guardar as economias em dólar uma desvalorização do real poderia frustar o sonho esportivo. Na opinião de Querino, é fundamental procurar uma agência de turismo idônea e que possa montar um pacote nas condições que o viajante deseja.
“É importante que todo o planejamento seja feito com contratos. É um investimento caro e você precisa estar tranqüilo de que não vai perder seu dinheiro”, conclui.
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‘Conhecer o cotidiano dos
países é mais enriquecedor’
O radialista Celso Zinsly, atual gerente de futebol do Esporte Clube Noroeste, esteve na Itália para a Copa de 1990 e já começou a planejar sua viagem para a Alemanha em 2006. Além da emoção de ver os jogos, ele ressalta que o mais marcante nas viagens é poder conhecer o modo de vida dos cidadãos do país que se está visitando.
“Entre um jogo e outro, minha dica é sair dos pacotes de turismo e fazer seu próprio programa. Museu e igreja é legal, mas enche o saco! Conhecer o cotidiano dos outros países é o mais enriquecedor”, afirma.
Zinsly lembra que saiu do Brasil, em 1990, com o pacote fechado e ingressos comprados para toda a competição. “Acabei voltando antes, quando a Seleção foi eliminada. Mas não adianta deixar para ir atrás de ingresso lá, porque você não acha.” Ele ressalta que a organização dos jogos é muito boa e com os ingressos numerados não há preocupação em perder o lugar durante a partida.
“Também é bom saber um pouco da língua do país, mesmo tendo um guia da excursão. Assim, você aproveita os jogos, os passeios e pode andar sozinho, conhecer coisas que não veria com o grupo”, recomenda.